Entrevista: Julia Rabello

Foto:Bob Wolfenson


Em 12 de julho, 2018 - 10h12 - Entretenimento

T+M: Eu li várias coisas a respeito da tua vida familiar  e me surpreendi com tua revelação de que teu pai é da União do Vegetal e que já tomaste o ayahuasca algumas vezes. Eu nunca tive coragem e morando aqui na Amazônia, volta e meia rola algum um convite. Te pergunto: a experiência te proporcionou o que, em termos de autodescoberta?

JR: Olha, eu venho de uma família católica, de uma criação católica. As famílias, tanto do meu pai quanto a da minha mãe, são muito católicas. Meu pai seguiu essa linha de estudo religioso, católico, e acabou se descobrindo na “União do Vegetal”, uma religião que usa o ayahuasca e aí, por conta dele, eu tive algumas vivências e experiências, advindas do uso do chá. Que foram interessantes. Mas consumi o ayahuasca que é utilizado na União do Vegetal, que é diferente de outros ayahuascas, já que cada religião utiliza ervas diferentes. Há muitas práticas diferentes e quando se fala do chá, há que se ter cuidado, porque a forma que se usa o chá, difere muito. A maneira como a “União” usa é muito cuidadosa, muito respeitosa e cheia de métodos ligados à própria religião e ao Espiritismo, além de preceitos católicos e isso foi muito importante na minha formação, mas eu não segui. Hoje em dia, eu não tenho essa prática; foi importante na estruturação de valores morais. Você me perguntou como é e eu tenho uma curiosidade enorme em relação a todas as religiões. Gosto de observar o “mistério de estar aqui”. É misterioso também pensar sobre o “não-ser religioso”. O que é religião? Quem é Deus? A experiência com o chá foi importante, porque, da maneira como me foi apresentada, foi respeitosa, bonita.

olho: “Eu tenho muito respeito pelo humor – acho algo muito grandioso!”