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05 de abril, 2014 - 07h39 - Belém

Dourada é o peixe mais consumido em Belém, aponta pesquisa

Pescada branca e amarela ficam em segundo lugar em pesquisa sobre consumo de pescado. Tamuatá é renegado


Por: Jornal Amazônia

Dourada, pescada branca e pescada amarela são os pescados preferidos da população da capital paraense, como aponta pesquisa da Secretaria Municipal de Economia (Secon), divulgada ontem. O estudo revela o 'Perfil do consumidor de peixe dos mercados públicos de Belém' e mostra que a população está consumindo mais peixe, mas com pouca variação entre as 53 espécies mais ofertadas. Para o órgão, esse hábito de consumo faz aumentar alguns preços pela demanda excessiva. Com objetivo de reverter esse quadro e começar a equilibrar os custos para o consumidor final, algumas medidas serão tomadas para agradar o paladar, como degustações. Possivelmente, até um concurso de culinária com as espécies menos populares pode surgir.

'Ficamos surpresos com alguns dados revelados pela pesquisa. Por exemplo: 56% das pessoas comem peixe por achar um alimento saudável e nutricional. Outra: 69% dos entrevistados comem peixe de uma a duas vezes por semana [média de um a dois quilos]. E ainda: 39% preferem o peixe inteiro', destaca o secretário municipal de Economia, Marco Aurélio do Nascimento. Na metodologia adotada, a amostra foi de 100 pessoas, sendo 20 em cada um dos cinco principais mercados de peixe de Belém: Ver-o-Peso, Icoaraci, Guamá, Terra Firme e Pedreira. Belém tem um total de 19 principais mercados.

Foto: Camila Lima (O Liberal)

Alguns dados reforçam uma teoria antiga da Secon sobre o consumo de peixes em Belém: 49% não compram peixes porque desconhecem algumas espécies. Justamente por esse desconhecimento e cultura de comprar os populares dourada, pescada amarela e pescada branca, os preços sobem. Sobem ao ponto de 59% acharem que o preço pago pelo pescado é muito alto. Contudo, não há menções sobre o crescente consumo de sushi na cidade, que leva principalmente o salmão cru.

Provas - A primeira degustação será nos dias 14 e 15, no Ver-o-Peso, para já mostrar outras opções de compra para a Semana Santa. As boieiras do mercado cartão-postal de Belém é que vão preparar os pescados das mais variadas formas e entre as espécies que poderão surpreender os consumidores menos acostumados a ter novas experiências culinárias são pacu, bagre e arraia. Outras espécies ainda serão incluidas no cardápio.

Na avaliação da chefe de Divisão do Departamento de Apoio à Produção da Secon, Gisela Lima, o consumo de peixes advém de um fator cultural. 'Passam as gerações e as pessoas não procuram conhecer outras espécies. Outras não sabem como preparar determinados peixes. Nem mesmo alguns peixeiros sabem', comentou. Curiosamente, até a equipe de pesquisadores tem dificuldade em tecer comentários culinários sobre outras espécies de pescado além das mais populares apontadas na pesquisa.

Renegado - No ano passado, no concurso 'Ver-o-Peso da Cozinha Paraense', dois chefs ousaram em fazer refeições usando peixes em receitas diferentes. Rafhaell Varela criou o prato 'O renegado', usando tamuatá temperado com azeite de alfavaca; casca de tamuatá com farofa de piracuí e banana da terra; e molho de caribé cítrica com crispa de jambu. O nome foi justamente uma forma de protesto para mostrar que poucas pessoas dão o devido valor a um peixe de sabor suave e rico, mas desprezado pela aparência e cheiro. Karina Papa foi na tendência oriental e criou o sashimi de pirarucu, usando pirarucu cru ao molho thai com cupuaçu; pérola de tapioca com geleia picante; e carpaccio com palmito pupunha.

Especialista defende a experimentação

A chef de cozinha do restaurante 'Lá em Casa', conhecido por ter um prato que tenta mostrar a diversidade do pescado paraense, o 'Corridinho', Daniela Martins, especialista em comida regional, discorda parcialmente da pesquisa ao dizer que certamente o peixe preferido é o filhote, mas que talvez pelo preço a população não o consuma em casa com tanta frequência. Porém, nos restaurantes, a ausência da espécie no cardápio pode resultar em prejuízos (há cinco anos não pode faltar) e tem sido difícil encontrar a espécie no supermercado. Ela também questiona a saída excessiva do produto local em detrimento da demanda do consumidor paraense, o que acredita ser a causa do aumento de preços.

'O prato ‘Corridinho’ é uma brincadeira com os turistas e clientes locais e traz seis peixes: filhote, pescada amarela, pirarucu fresco, pirarucu seco, tambaqui e gurijuba defumada. Mas de vez em quando trazemos outras espécies, como tucunaré, tambaqui, gó frita' disse Daniela. 'Dourada é um peixe que pode ser asado, frito ou cozido. Gó, pratiqueira e curimatã são peixes menos populares que são gostosos. Gurijuba é um peixe muito gorduroso, então precisa ser em caldo ou caldeirada e tem gente que toma o caldo só da cabeça. Tamuatá é um peixe que dá trabalho e é muito pitiú, mas é gostoso e pode ser feito cozido, em pasta, defumado ou salgado', recomenda.

Feira do ver-o-peso confirma a espécie como a líder de vendas 

No Ver-o-Peso, a cozinheira e vendedora de refeições Marta Oliveira, cuja idade é segredo e só revela ter 18 anos de trabalho no mercado, concorda com a pesquisa e diz que a clientela sempre pede logo por dourada, pescada branca e pescada amarela. Como uma especialista no paladar regional, mas sem referências e títulos, também recomenda que a população consuma mais peixes e de diferentes espécies para conhecer os sabores da região.

'Realmente se a população só comprar os mesmos peixes, vão ficar mais caros. Então é bom experimentar. Eu gosto muito de mapará assado e também de pratiqueira frita. Eu nunca provei gurijuba e nem arraia, mas quem sabe. Filhote todo mundo gosta, mas não compra pelo preço', opinou Marta, que apesar de vender vários tipos de pratos diferentes, não pode deixar faltar peixe ou os clientes vão reclamar.

Tambaqui e Piramutaba podem ir para mesa, mas se forem fritas

'Em casa até gostamos de peixe, mas é um pouco difícil comprarmos. Quando compramos também é dourada ou as pescadas branca e amarela', diz a comerciária Ivanda Bastos, de 44 anos. 'Porém, já provamos tambaqui e piramutaba. E para nós tem de ser frito, apesar das recomendações da nutricionista dizerem que devemos evitar fritura', acrescenta.

Elana Carvalho, de 50 anos, diz que não dispensa peixe em casa, mas também é adepta apenas das mesmas espécies e a dourada, definitivamente, é a preferida. E na hora de comprar, somente postas ou filés, evitando as espinhas e facilitando o preparo. 'Quando tem algum evento em casa ainda vamos de salmão assado de forno, que todo mundo gosta aqui. Uma vez meu cunhado preparou uma tainha assada na brasa e também gostei bastante. Mas no dia a dia precisa ser dourada', disse.