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Dólar fecha em alta após elevação dos juros nos EUA

A moeda norte-americana subiu 0,22% em relação ao real, a R$ 3,332 na venda


Por: G1 Em 14 de dezembro, 2016 - 18h06 - Economia

O dólar fechou em alta nesta quarta-feira (14), após uma sequência de sete quedas seguidas, na expectativa pelo desfecho do encontro de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), no final da tarde, e sem atuação do Banco Central. O mercado ainda monitora o cenário político doméstico, que agora se volta para a reforma da Previdência, segundo a Reuters.

A moeda norte-americana subiu 0,22% em relação ao real, a R$ 3,332 na venda. Na semana, o dólar tem queda acumulada de 1,18% e no mês, de 1,6%. No ano, há recuo de 15,57%.

Após o fechamento, o Fed divulgou a decisão de, como esperado pelo mercado, elevar as taxas de juros nos Estados Unidos. Com a alta, a primeira em 1 ano, os juros serão elevados para a faixa entre 0,5 e 0,75%, contra 0,25 a 0,5% atualmente. A previsão do Fed é de três altas dos juros em 2017.

O pano de fundo da reunião era de maior significado para o mercado, destaca a Reuters. Após anos em que o Fed mostrou-se inquieto com juros baixos e inflação fraca, as semanas desde a vitória de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos levaram ao aumento tanto dos rendimentos dos títulos quanto das expectativas de inflação. Havia a perspectiva de que o Fed elevaria a taxa em pelo menos duas ocasiões no próximo ano.

Aumentos de juros nos Estados Unidos motivariam uma tendência de alta do dólar em relação ao real, já que o país se tornaria mais atraente para investidores na comparação com outros mercados, como o Brasil.

Cenário local

Depois da turbulência política dos últimos dias, o mercado quer ver se o governo ainda tem base firme que pode dar andamento a outras medidas, como a reforma da Previdência.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados deve votar a admissibilidade da proposta da reforma da Previdência, enquanto que a Comissão Mista do Orçamento (CMO) aprovou o texto-base do Orçamento para 2017.

Na véspera, o governo conseguiu garantir, mesmo com votação mais apertada, que o Senado aprovasse em segundo turno a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece teto para o crescimento das despesas públicas por 20 anos.

"Apesar do quadro político nebuloso, o governo parece estar conseguindo andar com uma agenda positiva, o que contribui para diminuir o nervosismo dos agentes. As medidas que devem sair amanhã, são um exemplo disso", comentou à Reuters o economista da corretora Guide, Ignácio Crespo Rey, referindo-se ao pacote de medidas microeconômicas que deve ser anunciado pelo governo para estimular o crescimento da economia.

Sem interferência do BC

O Banco Central não nenhum tipo de intervenção no mercado de câmbio nesta quarta-feira, postura que não adotava desde o dia 1º de dezembro, destaca a Reuters. Na véspera, o BC fez leilão de linha, com venda de dólares e compromisso de recompra, num total de até US$ 4,2 bilhões para rolagem dos contratos que vencem em janeiro.

Na segunda-feira, o BC havia concluído a rolagem dos contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda de dólares no futuro, de janeiro. O próximo lote vence em 1º de fevereiro, correspondente a US$ 6,431 bilhões.