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Dilma Rousseff vota em meio a tumulto em Porto Alegre

Candidato do PT à prefeitura ficou com a camisa manchada de sangue


Por: O Globo Em 02 de outubro, 2016 - 16h04 - Eleições

A ex-presidente Dilma Rousseff, em Porto Alegre, chegando para votar - Cristiane Jungblut / Agência O Globo

Porto Alegre — A ex-presidente Dilma Rousseff votou em meio a um tumulto na seção eleitoral por causa de uma decisão da Justiça Eleitoral e Brigada Militar. Os policias militares impediram a entrada da imprensa e até do candidato do PT a prefeito na cidade, Raul Pont.

Na confusão, o deputado federal Henrique Fontana (PT-RS) também teve sua entrada incialmente impedida. A porta de vidro da entrada do colégio foi quebrada. Na confusão, o ex-ministro Miguel Rossetto foi empurrado pelos policiais.

Pont não se feriu, mas na confusão ficou com sangue na camisa após conseguir entrar. Dilma classificou o episódio de "lamentável".

— Nunca houve isso aqui, nunca a Brigada foi chamada e nunca fecharam as portas. Isso é algo muito ruim para o país — disse Dilma.

FLORES PARA A EX-PRESIDENTE

— Há que se ter orgulho descer cidadã nesse país — disse Dilma.

A ex-presidente acabou saindo pela porta lateral do colégio após votar.

— Acho isso um absurdo, antidemocrático, um absurdo impedir a imprensa de chegar aqui. Sempre votei aqui, nunca a Brigada Militar foi chamada, nunca fecharam as portas. É lamentável — disse Dilma.

Por ordem do juiz Niwton Carpes da Silva, da 160ª seção da Justiça Eleitoral, a Brigada Militar impediu o acesso da imprensa ao saguão do colégio e à seção de votação da ex-presidente, começando o confronto.

Indignado, o ex-ministro Miguel Rossetto começou a argumentar e a gritar que eles não podiam fazer isso, não podiam impedir o acesso da imprensa. Rossetto não conseguiu, mas Pont foi liberado.

CONFUSÃO COMEÇOU ANTES DA CHEGADA DE DILMA

A confusão começou mesmo antes de Dilma chegar ao local, quando cerca de 30 manifestantes a favor da ex-presidente começaram a gritar palavras de ordem na frente do colégio. Neste momento, os funcionários do Tribunal Regional Eleitoral quiseram fechar o portão de ferro do pátio do colégio e avisaram que a imprensa não entraria. Mesmo alertados de que isso daria confusão, o TRE manteve a decisão, afirmando que receberam ordens do juiz.

Os representantes do TRE alegaram dois motivos para impedir o acesso: primeiro, que havia a manifestação em frente ao portão do colégio, o que é proibido. Depois, que Dilma já não era presidente e apenas uma cidadã e que, por isso, seu voto não seria registrado.

Ao saber que o motivo era por ser cidadã, Dilma comentou:

— Se sou uma cidadã comum, tenho muito orgulho. Há que se ter orgulho de ser cidadã ou cidadão nesse país. Viva a democracia, minha filha.

Pont ficou com a camisa manchada de sangue de terceiros.

— Tenho experiência de 15, 16 eleições e nunca vi isso — disse Pont.

Rossetto acrescentou:

— Impediram que o trabalho da imprensa — disse Rossetto.

Ao comentar o episódio, o juiz eleitoral culpou a imprensa.

— Registrar voto na urna é errado. Se outros ex-presidentes têm seus votos gravados, um erro não gera precedente. A imprensa teve um comportamento de manada — disse o juiz.