Mais Acessadas

Desmotivação eleitoral

E o que fazem os candidatos a ser chamados de excelência para que motivem seus eleitores?


Por: Editorial Em 29 de setembro, 2016 - 07h07 - Editorial

Candidatos às eleições municipais, que estão às portas, manifestam-se impressionados com o desinteresse dos eleitores. E constatam o óbvio, perceptível a olho nu: parece que nem teremos, no próximo domingo, um pleito que vai definir os novos prefeitos e vereadores dos mais de 5 mil municípios brasileiros.

E o que fazem os candidatos a ser chamados de excelência para que motivem seus eleitores? Fazem quase nada; ou fazem muito, mas muito pouco. Escoram-se em desculpas e mais desculpas, mas não se dão conta de que uma campanha eleitoral não é o único momento de participação popular. É o momento mais decisivo, mas não é o único.

O processo democrático, no Brasil, precisaria ser mais transparente e mais efetivo. Já experimentamos muitos avanços, é claro. A Lei da Ficha Limpa, de iniciativa popular, é um desses emblemáticos exemplos de que o brasileiro, ao contrário do que muitos insistem em imaginar, não é passivo e não se exime de mostrar-se presente quando chamado a decidir.

Precisaria ser assim em outras circunstâncias. Detentores de cargos eletivos de um modo geral deveriam, efetivamente, ser os representantes das aspirações populares, e não subordinar-se a ditames de conveniência.

Não se admite, por exemplo, que senadores, deputados e vereadores, que tanto afirmam estar sujeitos às vontades de suas bases, não vislumbrem o menor empecilho ético em afinar-se com corporativismos deploráveis, como o que impede os parlamentos de adotar posicionamentos inflexíveis contra os que desonram o exercício do mandato.

É preocupante, da mesma forma, que os eleitores não demonstrem interesse em acompanhar o trabalho de seus representantes, pressionando-os constantemente, cobrando o desempenho de suas obrigações e questionando-os quando se divorciam da vontade popular para seguir conveniências partidárias ou outras quaisquer.

Por isso é que não se sustenta a alegação de que eventos como o processo de impeachment, os desdobramentos do petrolão e a cassação do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ocuparam totalmente a pauta nacional e acabaram esvaziando as pautas municipais. Contem outra, porque nessa ninguém acredita muito!

Por que não se pode dar crédito a essa alegação? Porque a falta de motivação dos eleitores provém da falta de motivação dos próprios candidatos, que, ressalvadas as exceções, não sabem ao certo como trabalhar num ambiente em que, diante da falta de dinheiro farto para financiar campanhas, é preciso apresentar propostas consequentes para corrigir distorções que castigam milhares, milhões de pessoas em todas as áreas - da saúde à segurança pública, da educação ao saneamento básico.