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Desemprego e incertezas

O número de desempregados no País é equivalente ao da população de megalópoles


Por: O Liberal Em 30 de dezembro, 2016 - 08h08 - Editorial

Entre as cinco maiores megalópoles do mundo estão cidades como Moscou, com 12,1 milhões de habitantes. O exemplo ajuda a demonstrar a grandeza do número de desempregados no Brasil neste final de ano, o equivalente à população do aglomerado urbano russo. É isso. A crise chegou a um ponto tão elevado que é possível destacar uma “metrópole dos desempregados”, com 11,9% dos brasileiros enquadrados. 

São tantos sem emprego que a quantidade ultrapassa até a população de grandes países, como Portugal, República Tcheca, Grécia... Usar este tipo de comparativo é necessário para que o impacto da crise aliado ao desgoverno no País não se perca nas porcentagens. O momento é de incerteza em todos os setores da economia e a política entra em ritmo de recesso após o presidente Temer tentar aprovar medidas questionáveis a rodo e ter conseguido levar adiante algumas outras questionáveis. 

Num país massacrado pela corrupção, onde o avião presidencial precisa ser abastecido com sorvete Häagen-Dazs, a maioria dos Estados está quebrada. Até funcionários públicos, que gozavam de estabilidade, fazem protestos porque não receberam seus salários. Centenas de municípios vão virar o ano com as contas no vermelho. Na iniciativa privada, o momento é de manter a cautela, de apertar os cintos e guardar capital. 

Por isso, o número desempregados no País é o maior da série histórica, que começou a ser sistematizada em 2012, a partir da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio), do IBGE. Com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) parado, sem verbas, os setores que mais demitiram foram a indústria, com mais de um milhão de pessoas, e o da construção, com 702 mil. 

Ao longo deste ano, a quantidade de trabalhadores informais aumentou, dada a dificuldade de reinserção no mercado. Em média, profissionais precisam suportar uma luta de até 30 meses até que uma nova chance apareça.  

No cenário atual, a redução dos investimentos nos programas de financiamento de educação é um dos motores do crescimento de um grupo dentro dos desocupados no Brasil: o nem-nem, jovens que não trabalham e nem estudam - na faixa etária de 15 a 29 anos. Segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, um quarto da juventude do País integra esse grupo - que cresceu 20% de 2014 para 2015.  

As perspectivas ainda não são boas para 2017 de acordo com instituições prestigiadas como o FMI. Até as próximas eleições, teremos muitos dias de incertezas.