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Desastre humanitário

Até onde vai parar essa escalada de desumanidade?


Por: O Liberal Em 03 de abril, 2017 - 07h07 - Editorial

Guerras civis não podem ter seu grau de crueldade dimensionado pelas baixas que ocorrem entre os que estão armados. Os que estão sem armas - adultos, idosos e crianças -, esses sim, submetidos a atrocidades sem fim, é que compõem involuntariamente um cenário desumano que desafia discursos e proclamações de boas intenções para minimizar-lhes os sofrimentos.

Discursos e proclamações de boas intenções ainda prevalecem entre muitas lideranças mundiais que continuam a olhar para a guerra civil na Síria como se fosse mais uma, dotada de configuração não muito diferente de tantos outros conflitos que ocorrem no mundo, sem que esforços concretos sejam feitos estancar os sacrifícios impostos a milhões de civis que sofrem os efeitos de selvagerias.

Os novos números divulgados pela Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Refugiados (Acnur) sobre a guerra na Síria são verdadeiramente estarrecedores. E não estarrecem apenas pelas mortes e torpezas que as guerras produzem, mas pelos deslocamentos forçados de milhões de pessoas.

Em seis anos, o conflito já deixou mais de 5 milhões de refugiados na Turquia, no Líbano, na Jordânia, no Iraque e no Egito. Cerca de 400 mil já morreram e mais de 6,3 milhões de deslocados internos. Os dados coletados pela Acnur e pelo governo da Turquia indicam que, dos 5.008.473 refugiados sírios, 488.531 estão em acampamentos.

“Quando o número de mulheres, homens e crianças em fuga de seis anos de guerra na Síria passa da marca de cinco milhões, a comunidade internacional precisa fazer mais para ajudá-los”, afirma o Acnur. 

E a diplomacia? Continua inerte. As iniciativas são apenas cosméticas. Não possuem, verdadeiramente, consistência para resolver esse desastre humanitário de proporções impressionantes.

Inexistem, até agora, sinais concretos de que o conflito irá terminar no curto prazo, mas especialistas acreditam que a fase mais sangrenta do confronto já pode ter sido superada. Com forte apoio da Rússia, o presidente Bashar Al-Assad voltar a dar indícios de que pode se consolidar no poder.

No último um ano e meio, desde que a Rússia começou a bombardear o território sírio em apoio a Assad, o governo sírio pôde retomar territórios importantes e estratégicos, na costa do país. A região engloba Damasco, a capital, Aleppo, que já foi a segunda maior cidade, e Latakia, onde fica o principal porto do país.

No balanço divulgado pela Acnur em 2016, o número de sírios que buscaram refúgio em países vizinhos desde o início do conflito era de mais de 4,8 milhões, sendo que cerca de 900 mil buscaram refúgio na Europa.

Até onde vai parar essa escalada de desumanidade?