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Debate infrutífero

Aguarde-se, portanto, o próximo debate. Infrutífero, como todos sobre esse assunto


Por: O Liberal Em 23 de março, 2017 - 07h07 - Editorial

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e o chefe da Procuradoria Geral da República usam termos dos mais contundentes, o primeiro para acusar a PGR de vazar informações sigilosas, o segundo para negar essa acusação.

As expressões utilizadas talvez estejam acima do tom que deve ser observado por ocupantes de cargos como os mencionados. Mas utilizá-las faz parte de um debate que tem três anos - exatamente a idade da Operação Lava Jato, que desvendou a roubalheira sem fim na Petrobras.

Mas a que tem levado esse debate? A lugar nenhum. Ou por outra: declarações de efeito vão parar nas manchetes de jornais, que as abrigam com satisfação. Fora isso, continua o mesmo diálogo de surdos: enquanto uns berram de um lado, do outro lado ouvem-se os sons agudíssimo de acusações que não são comprovadas.

Agora, esse diálogo infrutífero começou porque o ministro do STF Gilmar Mendes avalia que a PGR cometeu um “crime” porque, segundo ele, vazou parte dos nomes de políticos que integram a lista sigilosa de pedidos de abertura de inquérito feitos pela própria Procuradoria Geral da República ao Supremo. A lista tem por base nas delações de executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht.

Ao criticar a PGR, o ministro Gilmar Mendes tomou por base artigo publicado em jornal de São Paulo, onde se afirma que, em uma “entrevista coletiva em off”, a PGR teria vazado as informações. No jargão jornalístico, off é a informação fornecida por fonte que não quer se identificar.

“É uma mentira que beira a irresponsabilidade afirmar que realizamos na Procuradoria Geral da República coletiva em off de Imprensa para vazar nomes da Odebrecht”, disse. “Mesmo quando exercemos nossas funções dentro da mais absoluta legalidade, estamos sujeitos a severas e, muitas vezes, injustas críticas de quem teve interesses contrariados por nossas ações”, ressaltou.

Segundo Janot, o mesmo artigo do jornal afirma que coletivas em off para vazar informações sigilosas também ocorrem no Palácio do Planalto, no Congresso e no STF.

“Apesar da imputação expressa de até o Supremo Tribunal Federal, não vi uma só palavra de quem teve uma disenteria verbal a se pronunciar sobre essa imputação ao Palácio do Planalto, ao Congresso e até ao Supremo Tribunal Federal. Só posso atribuir tal ideia a mentes ociosas e dadas a devaneios, mas, infelizmente, com meios de distorcer fatos e desvirtuar instrumentos legítimos de comunicação institucional”, afirmou Janot.

Inexistem provas nesse debate. Tanto para sustentar que há vazamentos como para afirmar-se que não há. Aguarde-se, portanto, o próximo debate. Infrutífero, como todos sobre esse assunto.