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Cortes para a educação ameaçam a pesquisa na Amazônia

Risco é agravar-se a indigência educacional em toda a região Norte


Por: O Liberal Em 23 de outubro, 2016 - 11h11 - Educação

A expansão do número de doutores na região Norte está ameaçada por causa dos cortes feitos pelo governo federal na educação. O alerta foi feito pela professora Vera Lúcia Jacob Chaves, vice-presidente Norte da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), durante a 1ª Reunião Científica da Região Norte da ANPEd, na semana passada, na Universidade Federal do Pará (UFPA).

Foto: Reprodução

“Esse evento é um marco em nossa região. É o primeiro na região Norte. E tem como finalidade fundamental fortalecer os programas de pós-graduação em educação da região Norte”, disse ela, sobre o encontro, cujo tema foi “Políticas Públicas e Formação Humana: desafios para a educação na Pan-Amazônia”, realização do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UFPA, em parceria com a ANPEd e o Fórum Nacional de Coordenadores de Programas de Pós-Graduação em Educação da ANPEd (Forpred) da Região Norte.  

“São professores, pesquisadores, doutores daqui da região Norte. Temos 12 programas de pós-graduação em educação na região. Desses, cinco só no Estado do Pará, que é o pioneiro. Na UFPA, temos três e um em Santarém. O outro é da Universidade do Estado do Pará (Uepa). É o momento em que todos os estudantes de mestrado, doutorado e pesquisadores estão aqui socializando o conhecimento produzido e lançando livros”, acrescentou. 

Vera Jacob disse que os problemas educacionais na região Norte são “gravíssimos”. Segundo ela, região tem os piores índices educacionais do país e os 12 programas de pós-graduação na região são insuficientes. “Esse número é pequeno, pois temos mais de 150 programas no país. A região Norte hoje está com 12. Mas, até quatro anos atrás, só tínhamos três (na Federal do Amazonas, na Federal do Pará e na Uepa). Houve uma expansão significativa, daí porque estamos tendo a primeira reunião aqui”. Ela disse que há uma “assimetria regional” no País, tanto no aspecto econômico quanto na produção do conhecimento. “Você tem o maior número de doutores do país na região Sudeste. E, portanto, você tem a maior quantidade de pesquisadores e de programas de pós-graduação na região onde tem o maior número de doutores”, afirmou. 

Ainda conforme a professora, “não houve efetivamente uma preocupação dos governos brasileiros em capitalizar a produção do conhecimento e formar pesquisadores na região. Na educação, é recente esse número. De quatro anos para cá conseguimos aprovar, porque não tínhamos doutores na região. Isso mostra que agora já temos um quadro de doutores”. Vera Jacob afirmou que só há dois programas de doutorado em toda a região Norte. “Um aqui, na UFPA, e outro na Federal do Amazonas. E em toda as regiões Norte e Nordeste só temos um programa de pós-graduação em educação com nota 5 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Há, ainda, um preconceito muito grande no nosso País em relação à produção do conhecimento nas regiões Norte e Nordeste”, disse. 

Ela observou que ter os piores índices educacionais do País também tem reflexo na produção de conhecimento, na formação de pesquisadores, nos cursos e no financiamento. “Quando você atribui nota 5, você tem um recurso maior para aquele programa. Quando você atribui nota 4 e 3, você tem menos recursos”, explicou.

E acrescentou: “Atualmente, há um número significativo de doutores em nossa região e a tendência era isso se expandir. Mas estamos aqui nesse evento com muita preocupação, porque foram anunciados diversos cortes. O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), nessa reunião que teve essa semana, anunciou mais 30% de corte. A própria Fapespa (Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas) esteve aqui dizendo que tem R$ 7 milhões para investir em pesquisa no Pará, mas não pode liberar porque o governo federal não libera a contrapartida dele. Estamos vivendo um momento extremamente grave no Brasil. Neste momento, estamos preocupados em como manter, diante dos cortes, essa expansão que tivemos. Porque veja bem: desde 2015, não temos recurso nenhum para a capital. Como você vai fazer pesquisar se não pode comprar um computador? Se não pode comprar um equipamento para desenvolver pesquisa? Os editais de fomento foram todos suspensos”, afirmou.