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Compromissos com o País

O que tem a ver a Lava Jato com a pauta do Congresso?


Por: Editorial Em 16 de março, 2017 - 07h07 - Editorial

Os pedidos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), para investigar mais de 200 suspeitos de envolvimento nas roubalheiras na Petrobras, chegam num momento em que o Congresso Nacional está com uma pauta recheada de matérias das mais essenciais pendentes de votação, inclusive a reforma da Previdência Social.

O que tem a ver a Lava Jato com a pauta do Congresso? Tudo e nada. Tem tudo a ver se parlamentares que serão investigados guiarem-se por seus próprios instintos e desprezarem compromissos partidários, preocupados apenas em salvar a própria pele. Nada tem a ver se os investigados estiverem conscientes de que a delegação que o voto popular lhes atribuiu os obriga a portar-se de forma digna perante o eleitorado.

Entre os congressistas que serão investigados, como reagirá a maioria? Tentará salvar a própria pele? Ou vai portar-se dignamente, cumprindo seus deveres inspirada não em seus interesses pessoais, mas nas aspirações do País?

É difícil saber. Mas nunca é tarde para que, antes mesmo de serem revelados os nomes de dezenas de congressistas que estarão sob a lupa das investigações do Ministério Público, apele-se para o espírito público de cada um. Nunca é tarde para que saibam distinguir uma situação pessoal dos destinos do País.

Talvez seja acreditando justamente nesse senso de discernimento que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tenha externado sua avaliação de que o andamento da Operação Lava Jato não haverá de interferir no andamento da aprovação das reformas, entre elas a da Previdência.

“A reforma deve ser votada no Congresso na medida em que os parlamentares estão empenhados em mostrar que há uma agenda de reformas que continua a ser cumprida e que os trabalhos legislativos prosseguem normalmente. Não temos visto nenhum sinal de interrupção dos trabalhos legislativos em função de quaisquer problemas individuais, independentemente do número de pessoas”, declarou.

O ministro observou que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), segue prevendo para abril a votação da reforma da Previdência no plenário da Casa. “Temos que, nesse aspecto, ouvir a opinião dos líderes do Congresso, seja o presidente da Casa, sejam os lideres do governo e dos partidos. Já fiz reunião com bancadas de diversos partidos e continuarei a fazer na próxima semana. Tenho notado que é uma discussão intensa e séria, como deve ser, mas com uma participação muito grande. O nível de presença e participação é bastante intenso e numeroso”, acrescentou Meirelles.

Espera-se que os fatos não contrariem as boas expectativas do ministro da Fazenda.