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Comitê intensifica halterofilismo de olho na Paralímpíada

Para trazer medalhas em 2016, CPB fala até em trazer técnicos estrangeiros. No Mundial, país ganhou duas medalhas inéditas


Por: Lance!Net Em 22 de abril, 2014 - 09h09 - Paralimpíadas

Foto: Vipcomm

Não é novidade para ninguém o bom desempenho do Brasil na natação e atletismo paralímpicos. Mas de olho nos Jogos de 2016, e nos próximos, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) tem investido em esportes sem muitos resultados expressivos para o país até então, mas que apresentam atletas com potencial. A ideia é aumentar as chances de novas conquistas, em busca dos cinco primeiros lugares no Rio de Janeiro. E nessa situação está o halterofilismo, que já tem dado bons frutos.

Até o início deste ano, o Brasil nunca tinha faturado uma medalha em mundiais da modalidade. Mas no início do mês, em Dubai (EAU), Rafael Vansolin, medalhista de ouro na categoria júnior até 72kg, e Márcia Menezes, bronze até 79kg, quebraram esse tabu.

'O halterofilismo está crescendo. Alguns outros países já têm mais tempo na disputa. Mas atualmente, estamos sendo mais conhecidos. Antes, olhavam para o Brasil como se não fosse ninguém. Agora, nos observam com respeito. É questão de tempo para chegarmos entre os tops', disse Vansolin, de 19 anos.

Para aprimorar ainda mais o desenvolvimento do halterofilismo com os atletas e técnicos e voltar a conquistar medalhas em grandes competições, o CPB está em busca de treinadores estrangeiros. Atualmente, a Nigéria está entre os principais países na modalidade.

'Estamos pedindo ajuda ao Comitê Paralímpico Internacional para que nos ajudem a indicar técnicos. Os primeiros contatos primeiros foram com a Nigéria e o Irã. Vamos visitar esses países, nossos técnicos vão lá e vamos ver os melhores nomes. Estamos identificando treinadores, não temos um nome exato', afirmou o diretor técnico do CPB, Edilson Alves da Rocha, o Tubiba.

A intenção era intensificar os contatos com profissionais estrangeiros no Mundial para que até o meio do ano exista alguma novidade, com o foco em um trabalho mais forte em 2015. Em Londres-2012, o Brasil ficou zerado no quadro de medalhas no halterofilismo. Para 2016, é grande a chance de isso mudar.

Campeão mundial júnior foca 2020 - Campeão mundial júnior aos 19 anos no início do mês, Rafael Vansolin sonha em disputar uma Paralimpíada. No entanto, os Jogos de 2016, no Rio de Janeiro, não são o principal foco. Ele acredita que vai estar presente mesmo é em Tóquio-2020.

'O segredo desse esporte é ter tempo de prática e dedicação. Então, pelo pouco tempo, acredito que só em 2020 para eu ser uma realidade em uma Paralimpíada. Mas se surgir uma convocação para a disputa em 2016, não vou achar ruim', afirmou o atleta.

Vansolin começou a praticar o halterofilismo de maneira inusitada. Quando tinha 15 anos, entrou em uma academia em Uberlândia por estar obeso. Então, após observar seus treinos, um outro praticante o indicou ao professor para praticar o esporte. Deu certo e ele ainda perdeu peso. 'Pesava 69kg, com 15 anos. Era bem gordinho. Perdi dez quilos. Agora, estou criando uma estrutura de atleta', disse.

QUEM É O ATLETA:

Nome: Rafael Vansolin
Nascimento: 8/1/1995, em Uberlândia (MG)
Altura e peso: 1,65m e 67kg
História: Nasceu com mielomeningocele e hidrocefalia, o que afetou o desenvolvimento das pernas. Foi campeão mundial júnior em Dubai-2014, tricampeão mineiro júnior e bronze no Parapan de Jovens em Buenos Aires-2013