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Comércio se prepara para marés altas no mês de abril

Quem trabalha no centro comercial ergue os produtos nessa época do ano


Por: O Liberal Em 11 de abril, 2017 - 07h07 - Belém

A expectativa de que a maré alta ultrapassaria os três metros, ontem, por volta das 11h30, na área do Ver-o-Peso não se concretizou. Mas os comerciantes já conhecem o resultado da combinação entre chuvas fortes e marés altas: lojas alagadas e prejuízo nas vendas. Como abril ainda é um mês de marés altas, em Belém, agravado quando também há ocorrência de chuvas, grande parte dos habitantes da capital paraense convivem com alagamentos e transtornos. E uma das áreas mais afetadas é o centro comercial, principalmente no entorno do Ver-o-Peso. 

Foto: Fábio Costa

Ontem não aconteceu nenhum alagamento que assustasse os comerciantes. Mas a convivência há anos com essa realidade, já faz com que comerciantes e ambulantes que trabalham na área do Ver-o-Peso criem estratégias para amenizar os danos. Uma das alternativas dos comerciantes é levantar as mercadorias, colocando-as em uma parte mais elevada do estabelecimento, para que os produtos não sejam alcançados pelas águas. “No período das marés altas, nós, na véspera, já levantamos as mercadorias”, disse Danilo Marques, dono de um estabelecimento que vende caramelos e produtos descartáveis na avenida Portugal, em frente à Pedra do Peixe. 

Naquele perímetro, que é muito estreito, trafegam muitos ônibus e carros de passeio, que ‘jogam’ toda a água nos comércios ali localizados. E, por essa razão, o jeito é fechar o comércio. Ainda conforme Danilo, por causa dessa “maresia” o estabelecimento encerra suas atividades durante duas horas. Depois, para limpar tudo, são mais duas horas. Ou seja, acrescentou o comerciante, são quatro horas de trabalho perdidas por causa da maré alta. Há duas décadas, Augusto Levy é gerente de um loja que também fica situada naquele cruzamento, onde são vendidas roupas, calçados e redes. 

Ele também conhece bem os efeitos dessas águas no centro comercial. “Com a maré alta, não tem jeito. Fechamos e esperamos a maré invadir a loja. Vira um rio aqui dentro. O rio vem pra cá”, afirmou. Augusto acrescentou que todo comerciante se prepara para esse período. “As bancas dentro da loja são todas altas”, disse. Enquanto servia peixe frito com açaí para seus clientes, um vendedor, que trabalha em uma barraca na feira do Ver-o-Peso, disse ontem, por volta das 12 horas, que a maré alta não prejudicou o movimento no local. “Por enquanto, ainda não. Está tudo normal”, completou o rapaz.

A situação também é preocupante no distrito de Mosqueiro. E a Prefeitura de Belém informou que, com o risco de coincidência de maré alta com fortes chuvas, neste mês, destacou órgãos estratégicos para o monitoramento das marés e a prevenção de acidentes, principalmente em Mosqueiro. Agentes da Defesa Civil, Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob), Guarda Municipal de Belém e Agência Distrital vão atuar de forma integrada, em ações educativas e preventivas até o fim do mês, em vários pontos da ilha, como as praias do Marahu, Murubira, Baia do Sol e Praia Grande. “A intenção é alertar a população sobre os riscos em algumas áreas no horário da maré mais alta. As pessoas devem evitar tomar banho e circular nas orlas durante a maré alta”, disse o coordenador da Defesa Civil, Yan Miranda.