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Cofres vazios, cofres cheios

Cheios de dinheiro público apropriado indebitamente


Por: O Liberal Em 20 de dezembro, 2016 - 08h08 - Editorial

Quando senadores forem votar o desfigurado projeto de combate à corrupção, é preciso que atentem para casos concretos que relacionam a penúria financeira dos Estados à roubalheira desmedida.

Devem os senadores, por isso mesmo, convencer-se de que ou se combate ferozmente os ladravazes dos cofres públicos ou a ladroagem, tenham todos a mais absoluta certeza, continuará sendo um sério obstáculo para que o Brasil alcance um patamar que o torne respeitado no concerto das Nações.

Tome-se como exemplo o Rio de Janeiro. Ali, pode ser feita uma relação direta, íntima, linear entre a corrosão financeira que assola o Estado e a corrupção. Basta conferir os números, relacioná-las a fatos e avaliar, racionalmente, como é real o fato de que o dinheiro público que escorreu para os bolsos de organizações criminosas é o mesmo que falta para manter as finanças estaduais em dia.

No caso do Rio, calcula-se em R$ 224 milhões o esquema de corrupção que já resultou na prisão do ex-governador Sergio Cabral, de sua mulher, a advogada Adriana Ancelmo, e de vários ex-assessores de gestão posta sob suspeita.

“Foi identificado que integrantes da organização criminosa de Sérgio Cabral amealharam e lavaram fortuna imensa, inclusive mediante a aquisição de bens de luxo, assim como a prestação de serviços de consultoria fictícios”, diz o Ministério Público Federal no pedido que resultou nas prisões.

Apurou-se, por exemplo, que o ex-governador gastou R$ 1,372 milhão em quatro anéis e um colar da H. Stern, entre 2013 e 2015, segundo notas fiscais entregues pela joalheria à Polícia Federal, na Operação Calicute. Foram comprados um colar de ouro nobre 18k com diamante, avaliado em R$ 81 mil, um anel de ouro nobre 18k com diamante de R$ 30 mil, um anel de ouro amarelo 18k com rubi, R$ 600 mil, um anel de ouro branco 18k com brilhante solitário, R$ 319 mil, e um anel de ouro branco 18k com esmeralda, no valor de R$ 342 mil.

Uma joalheria apresentou “notas fiscais e certificados” de compras de Cabral, da mulher e de outros investigados. Junto, o casal teria gastado pelo menos R$ 1.931.828,00 em joias, segundo as notas fiscais entregues pela joalheria.

Em depoimento à Polícia Federal, uma diretora da joalheria afirmou que levava joias, anéis de brilhante e pedras preciosas à residência do ex-governador, para que ele e sua mulher fizessem uma “seleção” da peça a ser escolhida. Segundo a diretora, os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo.

É fato: os cofres públicos estão destroçados, mas investigações indicam com fartas evidências que os cofres de governantes estão cheios.

Cheios de dinheiro público apropriado indebitamente.