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Cobrança social prejudica processo de adoção

O fato de que toda mulher nasceu para ser mãe é o mito do amor materno criado e imposto pela sociedade, diz Karla Luna, doutoranda em psicologia.


Por: Redação ORM News com informações do TJPA Em 24 de março, 2017 - 17h05 - Pará

Foto: Nara Pessoa/TJPA

'O fato de que toda mulher nasceu para ser mãe é o mito do amor materno criado e imposto pela sociedade. As mulheres que não se encaixam nesse perfil sofrem preconceito, e são esses pré-conceitos que reforçam a entrega inadequada e até o abandono da criança', declarou a doutoranda em Psicologia Clínica, Karla Luna de Menezes, nesta sexta-feira (24), durante o seminário: 'A entrega voluntária de crianças para a adoção e o trabalho em rede', no Fórum Cível de Belém. O evento foi promovido pela Coordenadoria Estadual da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Pará (CEIJ/TJPA).

A especialista apresentou um de seus estudos sobre o tema que mostra os motivos e sentimentos da doação voluntária. 'Percebemos que existem motivos conscientes, que são os que as mães revelam, como não ter condições socioeconômica e familiar; e os motivos inconscientes, aqueles que estão por trás do discurso, como dependência emocional e psíquica. 

Durante o evento, o desembargador José Maria Teixeira do Rosário, coordenador da CEIJ, disse destaca que as mães podem contar com o apoio da instituição. “As mães que querem entregar uma criança para adoção devem procurar a Vara da Infância que serão acolhidas pela equipe multidisciplinar para ter o poio psicológico e emocional”. 

O objetivo do evento é garantir o direito da criança a um desenvolvimento saudável, fortalecendo a Rede para receber a adoção voluntária sem pré-conceitos e com todo o respeito à decisão da mãe, explicou o juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude e juiz auxiliar da Corregedoria do TJPA, João Augusto de Oliveira. Com essa perspectiva, a palestrante Luanna Tomaz de Souza, doutora em direito e conselheira da OAB/Pará, considerou a pressão social que a mulher vive. “A mulher tem um conjunto de responsabilidades enlouquecedoras. Ela é vista como a responsável por manter a sagrada família e a estabilidade do lar. Por tanta pressão acabam adoecendo, por isso temos que respeitar a mulher que não quer passar por isso, que não tem condições financeiras, nem psicológicas de assumir esse ideal imposto pela sociedade. A Rede precisa entender e ajudar”, declarou Luanna.