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Círio reúne dois milhões por amor a Maria nas ruas de Belém

Rapidez marcou novamente a procissão que terminou antes do meio-dia. Corda foi cortada antes de chegar à Praça Santuário


Por: Redação ORM News Em 09 de outubro, 2016 - 11h11 - Círio

Foto: Elivaldo Pamplona (O Liberal)

Todo católico paraense sabe que Belém do Pará é o melhor lugar do mundo para se estar no segundo domingo de outubro. Não foi diferente neste dia 9, data que marcou a realização da 224ª edição do Círio de Nazaré pelas ruas da capital paraense. Cerca de dois milhões de pessoas participaram da principal romaria da festividade em homenagem à Virgem de Nazaré. 

Confira a cobertura completa na página do Círio do ORM News.

Desde cedo, milhares de fiéis se reuniram em frente à Catedral Metropolitana de Belém no bairro da Cidade Velha para acompanhar a missa que deu inicío ao Círio. Presidida pelo arcebispo Dom Alberto Taveira, a celebração contou com a participação de 150 sacerdotes, além do bispo auxiliar de Belém, Dom Irineu Roman. 

Na celebração, Taveira destacou o Círio de 2016 como o da misericórdia, em razão do Jubileu da Misericórdia, celebrado pela Igreja Católica em 2016. 'Criou-se uma onda de perdão e misericórdia no mundo. É o Círio da misericórdia, quando Deus nos dá uma nova condição para nos aproximarmos dele, para pedirmos perdão', afirmou. 'O Círio é um milagre porque Deus deu as forças para todos estarmos aqui', acrescentou.

O papa Francisco também enviou mensagem aos paraenses saudando os fiéis pelo Círio e pedindo 'graças do Altíssimo por intercessão de Nossa Senhora de Nazaré'. O pontífice também enviou sua benção aos paraenses.

A procissão iniciou às 6h20, depois que a Imagem Peregrina foi afixada dentro da berlinda pelo coordenador da Diretoria da Festa, Roberto Souza. Começava então a caminhada de 3,6 quilômetros até a Basílica Santuário. As primeiras homenagens à Virgem começaram logo na área do Ver-o-Peso com a queima de fogos dos peixeiros e balanceiros do Ver-o-Peso. A queima de fogos durou cerca de 12 minutos. 

Metros adiante - após o atrelamento da corda na área da Estação das Docas - a padroeira dos paraenses recebeu nova homenagem. Foi a vez dos estivadores iniciarem sua queima de fogos de artifício num espetáculo pirotécnico que durou 10 minutos. A homenagem do Sindicato dos Arrumadores teve 63 mil tiros de foguete, 20% menor desde 2014 por orientação dos bombeiros.

A romaria seguiu em ritmo acelerado com a berlinda iniciando a subida da avenida Presidente Vargas por volta das 9h. Até ali já tinha sido percorridos quase dois quilômetros do percurso. Em uma das principais avenidas de Belém, a Imagem Peregrina recebeu mais homenagens tradicionais. No Banco do Brasil, a padroeira foi saudada com uma chuva de papel picado salpicando com tons de prata o céu azul do domingo de sol. O cantor católico Daividson Silva ficou responsável por entoar cânticos marianos para louvar a 'Santinha'.

Enquanto a Imagem Peregrina seguia rapidamente seu caminho rumo à Praça Santuário, alguns promesseiros da corda novamente resolveram cortar um dos grandes símbolos da festa nazarena antes da hora. Por volta das 9h15, o chamado núcleo da cabeça da corda foi cortado já na altura da avenida Nazaré.

Em um gesto em desacordo com o espírito fraterno e de misericórdia do Círio - enfatizado várias vezes pelo arcebispo Dom Alberto Taveira durante a procissão, os fiéis passaram a disputar pedaços da corda na avenida Nazaré. Grupos de romeiros se separaram e brigavam em 'rodinhas' pelos fragmentos da corda.

O corte precoce imprimiu certa lentidão ao percurso que vinha em ritmo acelerado. Pouco depois das 10h30, a Berlinda passou lentamente pela TV Liberal e foi saudada por uma queima de fogos. A voz da cantora paraense Liah Soares ecoava pela avenida pedindo que os fiéis saudassem a Virgem. Após passar pela sede da emissora, a Berlinda voltou ao ritmo acelerado de antes e logo alcançou a travessa Quintino Bocaiúva.

Os últimos quarteirões antes da Praça Santuário foram cumpridos rapidamente e por volta das 11h30, a berlinda com a Imagem Peregrina adentrou a Praça Santuário. Os fiéis lotaram a praça e saudaram a Virgem, cuja imagem foi erguida por Dom Irineu Roman. Terminava assim mais um segundo domingo de outubro no único lugar possível de se estar para louvar Maria.