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Carlos Ferreira


Em 10 de junho, 2014 - 06h06 - Carlos Ferreira

Felizmente, o futebol venceu as mazelas de bastidores

O Parazão 2013 passou sete dias suspenso, ameaçado de não ser concluído, por causa de uma batalha jurídica do Santa Cruz de Cuiarana, em polêmica que chegou à tribuna do Senado com acusações de corrupção e resultou em CPI na Assembleia Legislativa. Tudo isso deu em nada. Virou folclore. Mas no recomeço do campeonato houve acentuada queda na presença de público, inclusive nos Re-Pas. Este ano, fanfarrões de Papão e Leão se superaram no esforço para convencer os torcedores de que o campeonato era uma fraude, enquanto vândalos e brigões davam “show” de selvageria até mesmo no gramado. Mais uma vez, o resultado foi a fuga do público. Tal como em 2013, novamente o campeonato estadual teve números decrescentes de público. Isso mereceria reflexão, se houvesse compromisso dos clubes e da FPF, os donos do Parazão. Apesar dos pesares, o futebol venceu caprichosamente. Mesmo apunhalado por todos os lados, o Parazão terminou em festa para as duas grandes torcidas. Com bola rolando na decisão, o Papão festejou a vitória sobre o rival. Ao último trilar do apito, o Leão festejou a conquista do título. Jogadores azulinos e bicolores trocaram abraços em campo, num resgate de civilidade.

Pensando bem, o campeonato ainda não acabou

A bola parou, o Remo fez sua festa de campeão, mas, pensando bem, o Parazão 2014 ainda não acabou. Ainda bem! Afinal, as suspeitas levantadas precisam ser esclarecidas. Havia esquema de favorecimento, como o técnico bicolor Mazola Júnior denunciou e o presidente remista Zeca Pirão respondeu acusando árbitros? O torcedor pagou por um campeonato fraudado? Essas questões estão no Ministério Público (promotoria de Defesa do Consumidor), no Tribunal de Justiça do Estado e no Tribunal de Justiça Desportiva. Se houve leviandade de quem acusou, que haja punição aos levianos. Se há procedência, que sejam punidos os autores de qualquer que seja a ilegalidade. Está em jogo a credibilidade de todas as instituições envolvidas, que precisam dar uma resposta à sociedade.  

Os “caras” do campeonato

Pensei em escalar minha seleção do campeonato, mas desisti. Alguns que eu escalaria deram vexame na reta final do campeonato, ou com mau futebol ou na selvageria da decisão do 2º turno. Nesses casos, não vejo merecimento de homenagem. Resolvi, então, citar alguns destaques. Os “caras” do campeonato: Rafael Paty e Rony (foto). O maior destaque individual foi Rafael Paty, o principal artilheiro, com 13 gols, disputando apenas 13 jogos pelo Santa Cruz de Cuiarana. Uma façanha! Em segundo plano, Roni, 19 anos, revelação do Remo. No meio do campeonato, ele era apenas um torcedor, que havia jogado na base azulina e desistido de seguir a carreira de jogador. Já trabalhava como mecânico e mototaxista. Teve uma chance, na interinidade de Agnaldo de Jesus, e tornou-se peça decisiva na conquista do campeonato. Robinho (Cametá), Chaveirinho, Ezequias e Chicão (Independente), Caçula (São Francisco), Pikachu, Charles, Lima e Augusto Recife (Paysandu), Max, Dadá e Leandro Cearense (Remo) são outros profissionais que somaram comportamento decente à competência em campo, também merecendo admiração.

baixinhas


n Cassação da liminar do presidente do TJD, Barra Brito, pelo presidente do STJD, Flávio Zveiter, livrou profissionais de Remo e Paysandu da suspensão para o Re-Pa de domingo. Mas os brigões não estão livres de punição. Todos irão a julgamento pelo Tribunal de Justiça Desportiva, em sessão a ser programada, podendo cumprir pena no próximo campeonato estadual no caso de suspensão por jogos ou até nas atuais Série C e Copa do Brasil (Paysandu) e futura Série D (Remo) na hipótese de suspensão por dias.

n Athos, que está vinculado ao Remo até novembro, tinha razão quando disse que o Parazão 2014 era uma “várzea”, pela desorganização, cachorro e torcedor invadindo campo. O campeonato teve mesmo vários momentos de várzea, principalmente pelas bravatas nos bastidores. Até que Athos teria autoridade para se mostrar decepcionado com o Parazão, desde que ele não fizesse parte do pacote de decepções.

n Decidido a jogar no Remo, Robinho disse “não” ao Águia ao ser sondado para a Série C. O meia, destaque do Cametá, terá seu desejo realizado e deverá ser muito útil na Série D. Diego Carioca, ex-Paragominas, chegou a fechar com o Leão, mas deve ser descartado por conta da ascensão de Ameixa, do espaço conquistado por Ilaílson e pela chegada de Mael. Além disso, André passou a ser homem de confiança de Roberto Fernandes.

n André se dedicou muito ao tratamento no joelho, depois de ser descartado em abril, porque faria cirurgia. Enfrentou as dores, se colocou em condições de jogo e “se comportou como um guerreiro”, como disse Roberto Fernandes. Com sua bravura, André foi peça muito importante nos jogos mais decisivos.

n Empresário Guy Peixoto, executivo do Grupo Horizonte, negociou a compra do ônibus do Paysandu reduzindo o valor de R$ 600 mil para R$ 400 mil e ainda vai bancar a metade. O presidente bicolor Vandick Lima diz que o clube já tem os R$ 200 mil para pagar a outra metade e que a compra será consumada em breve. No entanto, a chegada do ônibus do Papão não tem data prevista, já que terá que ser pintado na padronização do clube. Um presentão no centenário!

n Apesar de confirmar no Paysandu a sua fama de artilheiro (20 gols - 10 no Parazão, 7 na Copa Verde, dois na Série C e um Copa do Brasil), Lima saiu do Campeonato Paraense sem título. O atleta, de 31 anos, jamais foi campeão estadual. Mazola Júnior ainda não ganhou título algum como treinador no futebol profissional, mas teve a proeza de conduzir o Sport/PE num acesso à Série A.

n Marcado para 9 horas de hoje, no Centro Integrado de Governo, na avenida Nazaré, encontro dos presidentes de Remo e Paysandu com autoridades do governo estadual e da prefeitura de Belém. Assunto: Centro de Treinamentos para os dois clubes na área do Mangueirão, com cada clube ganhando dois campos oficiais e estrutura de alojamento. Informação confirmada à coluna pelo presidente bicolor, Vandick Lima.

n Em matéria de bastidores agitados e disputa acirrada, o Parazão 2014 repetiu a história do campeonato estadual de 2000. Naquela temporada, o Parazão teve a novela jurídica de Leandrinho (Tiradentes), cuja ilegalidade, segundo o TJD, salvou o Remo de rebaixamento à 2ª divisão. E tal como o Parazão 2014, terminou com o vice-campeão (Castanhal) tendo um ponto a mais que o campeão (Paysandu) na pontuação geral, como também o principal artilheiro num time do interior (Edil, do Castanhal). Desta vez, foi Rafael Paty, do Santa Cruz de Cuiarana.

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