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Campanhas radicais

Reta final da campanha nos EUA revela discursos marcados por um radicalismo assustador


Por: O Liberal Em 07 de novembro, 2016 - 08h08 - Editorial

Ninguém tenha dúvidas: campanhas são campanhas. Aqui e lá, lá e aqui, elas não envolvem inocentes. Por isso é que as jogadas rasteiras, as acusações repetidas – muitas delas inconsequentes - e o radicalismo desmedido acabam alicerçando cenários de confronto que só se diferenciam no grau de contundência.

Nos Estados Unidos, uma das democracias mais sólidas do planeta, poucas vezes antes já se travou uma disputa em que o extremismo e o radicalismo se associaram para configurar uma polarização que vem superando os limites do tolerável, até mesmo quando se considera que as emoções sempre contaminam campanhas eleitorais.

Na reta final das eleições marcadas para amanhã, em que o republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton tentam chegar à Casa Branca para suceder Barack Obama, impressiona a contundência do tom que os concorrentes imprimem a suas manifestações.

Na semana passada, ao discursar nos arredores de Phoenix, a candidata jogou todas as fichas em uma projeção assustadora do que seria um governo do rival - especialmente para os latinos.

“Imagine um presidente que rebaixe as mulheres, zombe dos deficientes, insulte os latinos, afroamericanos, muçulmanos, prisioneiros de guerra, que coloca as pessoas umas contra as outras, em vez de uni-las”, disse Hillary Clinton a uma plateia estimada em 15 mil pessoas no campus da Universidade Estadual do Arizona.

A democrata desenhou um cenário ainda pior para os hispânicos, que são 21% dos eleitores do Estado. “Imagine um presidente que tem prometido ter uma grande máquina de deportação, para acuar milhões de imigrantes, e expulsá-los sabendo que famílias vão ser divididas mas que também a nossa economia vai ser afetada”, disse, prevendo que Trump enviaria agentes “de casa em casa, escola em escola, comércio em comércio” atrás de imigrantes.

E Trump? Ele já chegou a questionar até mesmo a saúde mental da adversária. “Ela é uma pessoa totalmente desequilibrada. Ela é desequilibrada e tudo o que você tem a fazer é observá-la, vê-la, ler sobre ela”, disse Trump. Em outro momento o candidato, exaltado, afirmou que caso ela vença as eleições presidenciais, irá destruir os Estados Unidos. “Se ela vencer, o que eu espero que não aconteça, ela irá destruir o nosso País”, afirmou.

O republicano ainda afirmou que Hillary é uma “mentirosa perigosa” e acusou-a de não conseguir nada durante a sua longa carreira no serviço público, exceto, disse ele, acusações criminais por usar um servidor de e-mail privado durante seu mandato como secretária de Estado.

Afinal de contas, em que essa disputa se diferencia das que são travadas abaixo da linha do equador?