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Cai nível de endividamento das famílias no ano de 2016

Em meio à crise, famílias preferem pagar dívidas a consumir mais


Por: O Liberal Em 08 de janeiro, 2017 - 12h12 - Economia

O ano de 2016 fechou com 41,5% das famílias paraenses com algum tipo de dívida, como cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Dentre esses mais de 41%, 14% se dizem muito endividadas; 10,1% se classificam como mais ou menos endividada e 17,4% com poucas dívidas.

Apesar de representar quase metade da população da capital paraense, esse é o menor percentual de endividados já registrado em um mês de dezembro desde 2012, quando tem início a série histórica. No mesmo período de 2015, o percentual era quase o dobro: 76,2%. 

A margem também é a segunda mais baixa de todos os meses analisados, somente atrás do resultado de novembro passado, quando o índice de endividamento atingiu 40,2%. Em todo o País, as famílias com dívidas responderam por 56,6% do total - taxa mais baixa desde maio de 2012. Em novembro, esse percentual era de 57,3% e, em dezembro do ano anterior, 61,1%.

“Apesar da desaceleração da inflação, a manutenção do crédito caro, aliada ao alto nível de desemprego, limita o consumo e, consequentemente, reduz os níveis de endividamento. Contudo, em médio prazo, não deve haver um recuo mais intenso dos indicadores de inadimplência devido às condições econômicas adversas”, antecipa o economista da CNC Bruno Fernandes.

O principal vilão dos consumidores do Pará continua sendo o cartão de crédito. Ele respondeu em dezembro por 64,4% dos tipos de dívida, seguido pelos carnês (28,5%), crédito pessoal (20,1%) e o cheque especial (4,8%). Ainda aparecem dívidas com financiamentos de carro (3,6%) e de casa (1,0%), crédito consignado (1,9%) e cheque pré-datado (0,2%).

INADIMPLÊNCIA

O percentual de famílias belenenses que possui dívidas ou contas em atraso chegou a 38,6% em dezembro, ante 35,1% em novembro e 38,1% na comparação anual. Quando se compara apenas a fatia de famílias endividadas de Belém, 92,8% assumem que suas dívidas estão atrasadas. No mês anterior, essa proporção era de 87,2% e no ano passado, de 50%. Desse grupo de famílias com dívidas atrasadas, 47,7% assume que continuará inadimplente porque não terá como pagar as dívidas a curto prazo. Uma parcela de 28,3% acredita que quitará todas as contas e 22,4%, em parte.

Outro dado da pesquisa mostra que, dentre os que não conseguirão quitar os débitos, o tempo de pagamento em atraso passa dos 90 dias para 48,5% deles. Dentre as famílias endividadas de Belém, 38,5% possuem atualmente até 10% da sua renda comprometida com débitos em atraso; 38,3%, com comprometimento entre 11% e 50%; e 1,9% superior aos 50%. Outros 21,3% não tem nem conhecimento do quanto as suas dívidas correspondem a sua renda.