Caçada a bando continua

Agentes de segurança pública voltam ao local onde sargento foi baleado e procuram testemunhas


Em 30 de outubro, 2015 - 01h30 - Polícia

 Na quarta-feira, vários policiais foram enviados ao local do crime. Cena semelhante foi observada ontem, no Telégrafo.

As equipes da seccional da Sacramenta, em parceria com a equipe da Divisão de Homicídios, investigam o crime contra o sargento Alberto José Rebelo Neves, da Ronda Tática Metropolitana (Rotam). Ele foi baleado na cabeça, na tarde de anteontem, durante uma tentativa de assalto ocorrida no bairro do Telégrafo, em Belém. Até o final da manhã de ontem a polícia não tinha informações sobre os criminosos.

A assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que uma equipe retornou ao local do crime para fazer novos levantamentos. Os policiais percorreram todo o trajeto feito pelo alvo dos bandidos, que foi de uma agência bancária na avenida Senador Lemos até a travessa 14 de Março, onde ocorreu a troca de tiros. A polícia quer ouvir testemunhas e identificar estabelecimentos comerciais que têm câmeras de segurança. Com o mapeamento, os policiais terão mais chances de identificar a quadrilha.

Funcionários da oficina onde o policial militar estava retomaram as atividades ontem. Uma testemunha disse que colocava a película no carro do sargento quando percebeu uma movimentação estranha de motoqueiros em frente à casa do vizinho. “O Alberto chegou a perguntar ao meu irmão se ele conhecia os motoqueiros. O meu irmão disse que não. Nesse momento, o Alberto se aproximou da calçada e já começaram os disparos. Eu só fiz me abaixar”, contou a testemunha. “Foi assustador. Sou amigo do Alberto desde a infância. Então é muito difícil viver essa situação”.

Na manhã de ontem, dois homens armados, à paisana, desceram de uma caminhonete prata e falaram com um morador da casa onde houve a tentativa de assalto. Em seguida, os homens retornaram ao veículo e deixaram o local. Tudo indica que eles são policiais que trabalham no serviço de inteligência e que estão à procura dos criminosos.

A vítima - A assessoria de comunicação do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE) enviou duas notas à imprensa, durante a manhã de ontem, informando o estado de saúde do sargento Alberto. O primeiro boletim, que chegou por volta das 7h, informava que o paciente havia passado por cirurgia, na noite de quarta-feira (28), e que estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com o quadro estável.  No segundo boletim foi informado que o quadro do policial é grave, mas estabilizado por medicamentos, sedação e respiração artificial.

O crime - O sargento Alberto José Rebelo Neves estava em frente a uma oficina de películas, no bairro do Telégrafo, quando levou um tiro na cabeça. De acordo com informações da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), o policial foi alvejado ao tentar evitar uma saidinha bancária.

Em uma coletiva realizada na noite de quarta-feira (28) foram mostradas aos jornalistas imagens de uma câmera de segurança particular que gravou o momento em que o policial foi baleado. De acordo com o secretário de Segurança, Jeannot Jansen, o secretário adjunto de gestão operacional, Hilton Benigno, o delegado geral da Polícia Civil, Rilmar Firmino, e o coronel Leão Braga, do Comando de Operações Especiais, que conduziram a coletiva, as imagens mostram que não houve tentativa de execução do PM. “As imagens deixam claro que, infelizmente, ele foi baleado ao impedir uma tentativa de assalto na casa ao lado de onde estava”, afirmou Rilmar Firmino.

Vídeo mostra que tudo ocorreu em aproximadamente 3 minutos

A gravação divulgada à imprensa na quarta-feira (28) mostra quando cinco assaltantes chegam em três motocicletas e um carro escuro em frente a uma casa localizada na travessa 14 de Março, próximo à Djalma Dutra, no bairro do Telégrafo, às 17h. Eles seguiram o dono da casa, que havia saído de uma agência bancária. O sargento Alberto Neves estava no imóvel ao lado, onde funciona uma oficina de películas para automóveis. Ao perceber a movimentação suspeita em frente à casa vizinha, o policial, mesmo de folga, tenta enquadrar os assaltantes.

O vídeo mostra que tudo ocorreu em aproximadamente três minutos. Primeiro passam duas motos e um carro escuro, cujos condutores analisam o cenário e se distanciam para dar fuga aos comparsas. Em seguida, dois homens a pé passam em frente à casa, observando-a. Eles voltam e um deles retira o cadeado do portão, que fora deixado aberto.

Ao lado, enquanto acompanhava a colocação de película no carro dele, o sargento Alberto Neves observou a movimentação, percebeu que se tratava de um assalto e se posicionou para enquadrar os criminosos. Um deles atirou, o policial caiu e os bandidos fugiram nas motocicletas que os esperavam na esquina. A Polícia Civil tem outras imagens de câmeras próximas, que estão sendo analisadas.

“É importante mostrar essas imagens a vocês e à sociedade para eliminar a possibilidade de conclusões apressadas, que criam pânico e mais atrapalham do que ajudam as investigações”, disse Jeannot Jansen. “E também para coibir a politização de ocorrências policiais, que infelizmente é uma prática corriqueira de certas pessoas”.

“Temos várias equipes em campo e estamos analisando outras imagens. A investigação certamente nos levará à prisão dos assaltantes que atentaram contra o policial no mais breve tempo possível”, disse o delegado Rilmar Firmino. 

O coronel Roberto Campos destacou a resposta rápida da Polícia Militar. “Todo o apoio foi dado ao sargento Alberto. O comando da Segurança esteve o tempo todo presente no atendimento a ele. Por conta da comoção e da tensão provocada por essa lamentável ocorrência, o policiamento nas ruas foi reforçado com barreiras e rondas”.

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