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Benedicto Júnior cita Lobão e PMDB em esquema de Belo Monte

Delação confirma o envolvimento de quatro senadores do PMDB nos desvios da empresa. Entre eles, o senador Jader Barbalho.


Por: Redação ORM News com informações da Folha Em 24 de março, 2017 - 14h02 - Polícia

Em depoimento prestado à Justiça Eleitoral, o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior, mais conhecido como BJ, informou que o PMDB recebeu recurso pelas obras da usina de Belo Monte, no Pará.

Ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Herman Benjamin, BJ disse que o senador Edison Lobão (PMDB-MA), e um outro "deputado ou ex-deputado" do Pará, eram os destinatários dos valores vinculados à obra.

O ex-executivo também relatou que o partido do presidente Michel Temer foi o único beneficiado com o esquema de Belo Monte. O motivo seria por causa de um veto ao PT feito pelo Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo. Ele ainda declarou que quando recebeu o projeto, foi logo informado que alguns compromissos estavam destinados a dois partidos. E a orientação principal era a de não fazer as contribuições, já que o PMDB possuia pessoas no local para tratar desses assuntos com outros executivos. No entanto, não havia nada para o PT, por determinação do próprio Marcelo.

Ainda em depoimento, Benedicto disse que tem quase certeza que nada foi pago ao PT por Belo Monte. Mas para o PMDB havia uma conta específica da obra, uma despesa que foi combinada e debitada posteriormente.

o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior, mais conhecido como BJ (Foto: Divulgação)

Ao juntar essa versão com o depoimento de outro delator, o ex-senador Delcídio do Amaral, a Polícia Federal (PF) acredita que um grupo de senadores peemedebistas comandavam esquemas de desvios de empresas do setor elétrico. São eles: Renan Calheiros (AL), presidente do Senado, Romero Jucá (RR), Valdir Raupp (RO) e Jader Barbalho (PA).

A PF já apontava indícios, desde setembro do ano passado, de que o PMDB e quatro senadores do partido receberam propina das empresas que construíram a usina de Belo Monte, no Pará, por meio de doações legais, segundo relatório que integra inquérito no Supremo Tribunal Federal.

BJ ainda falou que tem quase certeza que houve pagamento em 2014 para o PMDB e acredita que um ex-deputado procurou o executivo da empresa. E não lembrava se essa ação estava relacionada a campanha estadual ou presidencial.

O delator ainda confirmou que nunca realizou um pagamento em cima do percentual das obras, pois os valores seriam pagos pelo departamento de Operações Estruturadas, área de pagamentos de propina do grupo.

A construção de Belo Monte foi feita por um consórcio. Os participantes são: Andrade Gutierrez (18%), Odebrecht (16%), Camargo Corrêa (16%), Queiroz Galvão (11,5%), OAS (11,5%), Contern (10%), Galvão (10%), Serveng (3%), J. Malucelli (2%) e Cetenco (2%).

Diante do depoimento feito por BJ, o advogado de Lobão, Antonio Carlos de Almeida Castro, nega as acusações. "Tenho denunciado os vazamentos criminosos e dirigidos. Eles têm que ser investigados, a defesa não conhece o teor das delações logo não pode saber o contexto do que foi dito. No caso concreto dar valor a 'ouvir dizer' e a 'salvo engano' é desmoralizar o instituto da delação. Por sinal o MP tem se esmerado em desacreditar as delações", disse.

"A fragilidade das delações é de tal monta que o recall virou a regra. Ou seja o delator pode mentir, omitir, proteger e se for pego terá a chance, ate, de mentir de novo", afirmou.