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Capital paraense tem o metro quadrado mais caro

Na contramão da crise, o valor sobe para R$ 4.423,00, aponta estudo de consultoria


Por: Redação ORM News com informações de Evandro Flexa Jr. de O Liberal Em 24 de janeiro, 2016 - 08h08 - Belém

Foto: Fábio Costa/ O Liberal

A variação de preço do metro quadrado no mercado imobiliário em Belém bateu recorde no quarto trimestre do ano passado, segundo pesquisa realizada pela consultoria Viva Real, de São Paulo. O estudo mostra que o metro quadrado na capital paraense fechou o trimestre valendo R$ 4.423 para a venda, ou seja, 8,1% a mais que os R$ 4.091 avaliados em igual período do ano anterior. 

No último triênio, esta cotação jamais havia ultrapassado a casa dos R$ 4,4 mil, o que representa uma reação contrária ao período de crise financeira vivenciado pela economia brasileira. Os dados da consultoria também revelam a expansão da densidade habitacional em áreas fora do grande centro da capital paraense, já que os três bairros mais procurados pela clientela não ficam na zona central da cidade. 

De acordo com a pesquisa, o bairro do Marco lidera o ranking de locais mais procurados em Belém, seguido da Pedreira e do Parque Verde. Também entram na lista dos mais demandados, respectivamente, Umarizal, Marambaia, Nazaré, Batista Campos, São Brás, Tenoné e Coqueiro, fechando a lista dos dez mais prestigiados pelos compradores de unidades habitacionais. 

Ainda segundo os dados de Belém levantados pela consultoria, 40% da demanda dos clientes é por imóveis de tamanho entre 51m² e 100m². Já as moradias com tamanho entre 101m² e 150m², bem como as de área superior a 200m², têm uma demanda de 23% dos clientes, cada uma delas. Apenas 14% da clientela buscam imóveis de extensão entre 151m² e 200m². 

Com relação aos valores, 33% dos consumidores procuram imóveis de preço entre R$ 171 mil a R$ 350 mil, ao passo 29% idealizam unidades habitacionais a um custo entre R$ 351 mil e R$ 500 mil. Já os imóveis entre meio e um milhão de reais são os pretendidos por 28% dos clientes, e os de preço acima de um milhão estão na preferência de 10% dos investidores em imóveis. 

Avaliando o número de quartos, 48% dos consumidores dispostos a comprar um lar buscam três dormitórios, ao passo que 30% precisam de dois dormitórios e 22% de quatro ou mais quartos.  Com relação a oferta, 75% das unidades habitacionais disponíveis para venda em Belém são apartamentos, e 25% casas. Destas, 39% apresentam valor entre meio e um milhão de reais, e apenas 20% registram preços entre R$ 171 mil e R$ 350 mil, ou seja, os mais procurados pelos clientes.  

Confira a variação de preço do metro quadrado para a venda na capital do Pará:

Período                           Valor

2º trimestre de 2013    R$ 3.731

3º trimestre de 2013    R$ 3.500

4º trimestre de 2013    R$ 3.738

1º trimestre de 2014    R$ 3.936

2º trimestre de 2014    R$ 4.134

3º trimestre de 2014    R$ 4.333

4º trimestre de 2014    R$ 4.091

1º trimestre de 2015    R$ 4.008

2º trimestre de 2015    R$ 4.145

3º trimestre de 2015    R$ 4.359

4º trimestre de 2015    R$ 4.423

Augusto Montenegro atrai compradores

O presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) dos Estados do Pará e Amapá, Jaci Colares, avalia que a demanda por imóveis fora do Centro cresce há pelo menos 15 anos. “Esta é uma lógica antiga, justificada pelos elevados preços dos imóveis  de bairros nobres, como Umarizal, Nazaré e Batista Campos, se comparado aos valores das demais áreas da cidade”, explica. Ele reforça que a procura por moradias fora da área central é grande tanto entre mutuários que pretendem morar no imóvel como entre os que adquirem motivados pelo investimento. “Sem dúvida, o eixo da (rodovia) Augusto Montenegro tem crescido muito nos últimos anos, e, ao que tudo indica, vai crescer muito mais após as obras de infraestrutura que estão em curso e projetadas para o local. Os imóveis ficarão mais valorizados em pelo menos 10%. Quem quiser investir, a melhor oportunidade é agora”, pontua. Colares destaca que os investimentos devem alcançar também os prestadores de serviços, já que, segundo ele, há uma demanda reprimida de consumidores naquela região da cidade que ainda precisam se deslocar para o centro para se consultar com médicos, fazer tratamento odontológico, entre outros. 

O estudo mostra ainda que os apartamentos são as moradias preferidas para 63% dos consumidores de Belém, contra 37% dos clientes que preferem casas. Conforme avalia o consultor imobiliário especialista em condomínios Renato Cortez, o inchaço nos grandes centros têm provocado o êxodo dos habiantes das metrópoles. “Os condomínios horizontais caíram no gosto sobretudo daqueles que buscam qualidade de vida, ou seja, a calmaria tem sido um dos fatores para contribuir com o aumento significativo por condomínios fora do centro”, esclarecem frisando que outro fator é o preço, muito mais atrativo que nas áreas centrais da cidade. Ele reforça que, para contribuir com a qualidade de vida, os condomínios vêm implementando áreas de convívio comum. “São serviços para as crianças e entretenimento para os adultos, tentando compor o leque de serviços para a família. E algo que estava perdido nessa relação e tornou-se fundamental, o bom atendimento”, completa. 

Sonho

A procura de um ano por um imóvel no valor máximo de R$ 170 mil não foi nada fácil para a servidora pública Elisângela Souza, de 37 anos. Ela conseguiu financiamento através instituição financeira e comprou um imóvel no valor requerido, com dois quartos, dois banheiros, sala cozinha e garagem, no bairro do Tapanã, em Belém. O imóvel conta ainda com área comum, sendo a piscina, a quadra de esporte e a churrasqueira alguns dos atrativos. “Hoje, não podemos mais nos importar em morar longe do Centro, pois, o o desenvolvimento vem chegando para as áreas menos centrais da cidade”, afirma. Ela diz que, se comparado à década passada, a rodovia Augusto Montenegro apresentou evolução. “Temos shopping centers, supermercados, escolas, farmácias, entre outros equipamentos importantes para a escolha do local onde vamos investir mais que nosso recurso, nosso sonho”, avalia. A servidora acrescenta a necessidade de novos estabelecimentos. “Ainda é carente, por exemplo, o número de clínicas de saúde nesta área de Belém”.