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Belém recebe a fase final do Grand Prix de Judô para Cegos

A competição acontece em Belém, neste sábado (12), no ginásio do Sesi, na avenida Almirante Barroso


Por: Redação ORM News com informações da Agência Pará Em 11 de novembro, 2016 - 15h03 - Artes Marciais

O Pará tem boas expectativas em relação à disputa da fase final do Grand Prix Infraero de Judô para Cegos, competição nacional da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), que acontece em Belém, neste sábado (12), no ginásio do Sesi, na avenida Almirante Barroso. A cerimônia de abertura está marcada para começar às 8h30, e contará com a presença de Renilce Nicodemos, titular da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel). O órgão estadual apoia os atletas paraenses que participarão da competição.

A organização da competição é da CBDV, da Ascepa (Associação de Cegos do Pará), da Fepaju (Federação Paraense de Judô) e da Asfan (Associação Souza Filho de Artes Marciais).

Cerca de 300 atletas do Brasil vão participar do Grand Prix. Entre eles, toda a seleção paralímpica de judô do Brasil, que disputou os Jogos do Rio 2016, incluindo os quatro medalhistas. Nos Jogos Paralímpicos, todas as medalhas brasileiras foram de prata: Wilians Silva de Araújo na categoria 100kg masculino, Antônio Tenório nos 100kg masculino, Alana Martins Maldonado nos 70kg feminino e Lucia da Silva Teixeira Araújo na categoria 57kg feminino.

Entre os paraenses, a dupla do município de Parauapebas, Thiego Marques da Silva, 17 anos, e Thiago Ferreira da Silva, 24 anos, traz esperança de medalhas para o Estado. Thiego é pentacampeão nacional. Ele conquistou os títulos brasileiros de 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015 pela categoria Ligeira (até 60 kg). Além disto, foi vice-campeão no Mundial de Jovens de Judô em 2013, nos Estados Unidos. Já Thiago foi campeão brasileiro Sub-20 duas vezes, no Grand Prix de São Paulo de 2010 e na etapa final do GP no mesmo ano, no Rio de Janeiro.

“A nossa expectativa é das melhores, é trazer medalhas para o Pará”, afirma Thiego. Já Thiago diz que competir em casa dá um “gostinho a mais”: “Já participamos de várias competições nacionais, mas a expectativa é sempre como se fosse a primeira. Nos preparamos muito bem e esperamos competir de igual para igual com qualquer atleta que iremos enfrentar”.

Depois do Grand Prix, Thiego vai se apresentar à Seleção Brasileira de Jovens de Judô Paralímpico. Ele foi convocado para disputar o ParaPan-Americano de Jovens, que será realizado em março de 2017, em São Paulo. Os dois estiveram hoje na Seel acompanhados por Antônio Sergio, professor de judô e coordenador das modalidades paralímpicas da Aepa.

O treinador foi um dos responsáveis pela implantação e consolidação de um projeto que introduziu a prática do judô paralímpico no Pará. “A Aepa tem um projeto chamado Judô Solidário, que foi pioneiro no Estado. O judô paralímpico começou a ser praticado no Estado em Parauapebas. Por isso, a nossa expectativa é boa, porque o Grand Prix vai coroar todo um ciclo paralímpico.

Antônio Sergio acompanhou de perto os Jogos Paralímpicos deste ano, no Rio de Janeiro, que para ele foi uma oportunidade de muito aprendizado. “Observamos muita coisa, o nível técnico é realmente muito alto e conseguimos trazer muita informação sobre técnicas para podermos aplicar com nossos atletas”, informou o treinador.

Para Antônio Sergio, o apoio da Seel é uma oportunidade para o paradesporto paraense desenvolver todo o seu potencial. “Com este forte envolvimento da Seel nessa questão paralímpica, a gente vai sentir de perto o que já sabemos na teoria, que existe este potencial muito grande no esporte paralímpico”, complementou.

Judô estreou nas Paralimpíadas em 1988

O judô é a única arte marcial dos Jogos Paralímpicos e é disputado nas Paralimpíadas desde Seul 1988. A estreia das mulheres foi feita em 2004, nos Jogos de Atenas. No Brasil, começou a ser disputado na década de 1980 e a primeira competição internacional que o país disputou foi o Torneio de Paris, em 1987. No ano seguinte, o Brasil conquistou três medalhas de bronze nas Paralimpíadas de Seul. Segundo os seus praticantes, este esporte ajuda as pessoas com deficiência devido ao aperfeiçoamento do equilíbrio.

O judô é praticado por atletas cegos e com deficiência visual que, divididos em categorias por peso, lutam segundo as mesmas regras da Federação Internacional de Judô. Poucos aspectos diferem do judô convencional: os atletas iniciam a luta com a pegada feita (um segurando no quimono do outro), a luta é interrompida quando os oponentes perdem o contato e não há punições para quem sai da área de combate. O esporte é praticado por judocas das três categorias oftalmológicas: B1 (cego), B2 (percepção de vulto) e B3 (definição de imagem). O atleta B1 é identificado com um círculo vermelho em cada ombro do quimono. O sistema de pontuação é igual ao olímpico e sua prática pode ser feita entre atletas cegos e não-cegos.