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Ato em Belém marca luta contra intolerância religiosa

A ação foi realizada na manhã deste domingo (22) na Praça Batista Campos


Por: Redação ORM News Em 22 de janeiro, 2017 - 14h02 - Belém

Foto: Tarso Sarraf

Respeito. Entender que a diferença do outro, o faz único. Foi com esse intuito que dezenas de pessoas se reuniram hoje, na Praça Batista Campos, no 8º Ato Contra a Intolerância Religiosa. A ação visa focar os olhares da sociedade para a urgência do respeito à diversidade religiosa. Candomblecistas, hare krishnas, umbandistas e pessoas de outras religiões estavam presentes no ato, que ressaltou a importância do respeito às divergências para uma população mais empática.

"Nós não queremos ser tolerados, nós queremos ser respeitados. Aqui no estado do Pará, por exemplo, ano passado nós tivemos vários assassinatos por intolerância e desrespeito às nossas tradições. A gente quer uma cultura de paz, de respeito. Nós queremos ser olhados como humanos", afirmou o candomblecista Mam'eto Nangetu.

A Intolerância religiosa tem sido um assunto de constante debate entre toda a sociedade. O tema foi, por exemplo, proposta da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, o que demonstra a necessidade de travar um diálogo sobre o preconceito com as religiões, principalmente as que ainda são menos comuns no Brasil. Para a coordenadora do projeto de Cartografia da Cultura Afro brasileira e indígena da Universidade Federal do Pará e membra da Paróquia Confissão Luterana, Antônia Brioso, o ato preconceituoso com determinadas crenças é histórico, e vem se alastrando desde os tempos da escravidão. 

Foto: Tarso Sarraf

"O preconceito tem toda uma história de discriminação, de inferiorização, de escravização. E isto não terminou com o fim da escravidão. Este segmento da população continuou sendo inferiorizado, sendo mão de obra barata, empurrados para a periferia. E era preciso legitimar esta exclusão, por isso o surgimento destas teorias racistas, que ainda estão muito presentes na realidade do brasileiro, sobretudo com o incentivo de grupos fundamentalistas que segregam", alertou Antônia. A coordenadora também ressaltou a necessidade da criação de novas leis que reprimam mais firmemente esse tipo de conduta. "É preciso punir os atos de intolerância. É preciso leis que punam o desrespeito pelo outro. Não é só a tolerância. É saber que o outro é tão outro quanto eu também sou outro para ele", frisou. 

Por ser um país laico, como fora instituído pela Constituição da República Federativa, torna-se inviolável, no Brasil, a liberdade de consicência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma de lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias. Para Antônia, há uma urgente necessidade de conhecer as raízes brasileiras e seu multiculturalismo, para que se tenha um melhor compreendimento sobre liberdade religiosa.

"O Brasil é um país híbrido. Nós somos feitos da pluralidade, da diversidade, esta é a nossa origem, nós somos multiculturais. Então, um país que descrimina a si próprio, está negando a sua origem. Nós temos um pé na África, um pé na Europa, os nossos índios fazem parte da nossa história. Nós temos que trabalhar por uma cidadania multiculural, onde possam habitar todos aqueles que são diferentes, porque diferença não é um defeito, diferença é um bem, um patrimônio nosso", explicitou.