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Ataque ao alvo certo

Essa mesma gente inocente também não se deixa convencer de que a corrupção castiga, esfola e mata


Por: O Liberal Em 28 de julho, 2016 - 07h07 - Editorial

Arelutância em se combater a corrupção no Brasil é atávica, histórica, tem uma história de cinco séculos. Mas continua a ser impressionante como tanta gente, nos círculos ditos mais bem educados da sociedade, ainda considera que punir o corrupto no bolso não é uma providência essencial, salutar, efetiva e fundamental para desestimular os ladrões dos dinheiros a públicos a prosseguir em suas rapinagens.

Essa mesma gente inocente também não se deixa convencer de que a corrupção castiga, esfola e mata - não necessariamente nessa ordem, vale dizer. O dinheiro subtraído aos cofres públicos e embolsado por personagens sem quaisquer escrúpulos é o mesmíssimo dinheiro que poderia, por exemplo, ser aplicado para equipar hospitais.

Ladrões desse quilate - que castigam, esfolam e até matam - não deveriam devolver tudo o que desviaram? Sim. E não deveriam, em muitos casos, ir para a cadeia? Também sim. Mas há gente inocente que continua defendendo a tese de que o País tem que avançar a passos lentos para reduzir a roubalheira a níveis toleráveis, porque extirpá-la completamente, sabem todos, é praticamente impossível.

Felizmente há vozes resolutas, firmes e fundamentadas que estão proclamando, em alto e bom e som, a necessidade de aprofundar-se o combate à corrupção. Uma delas é a procuradora Thaméa Danelon.

Integrante do Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público de São Paulo, ela não tem dúvida alguma de que pegar o corrupto pelo bolso é medida eficaz para combater a ladroagem.

“Não é razoável que um ladrão que assalte a casa de uma pessoa, com esse dinheiro ele venha a pagar o advogado para defendê-lo. Asfixia econômica é importantíssima. É o poder econômico aliado com nosso sistema ultrapassado que resulta na impunidade. Os criminosos de colarinho branco, os grandes corruptos, contratam os melhores escritórios de advocacia com o intuito de só atrasar o processo. A defesa não é refutar os fatos, provar que os fatos não ocorreram e que o cliente é inocente. Tem casos em que é tão robusta a prova que não tem como fazer a prova contrária”, diz a procuradora.

“Por isso mesmo é que o papel da sociedade, segundo ela, é indispensável para o País avançar na repressão aos corruptos. Se não fosse a mídia, o bom jornalismo, que divulga os escândalos, a sociedade tem de estar a par do que acontece, os veículos de comunicação são importantíssimos. Explicar quem são os investigados, quais são os esquemas de corrupção para que a sociedade, sabendo de tudo, se mobilize”, afirma a integrante do Ministério Público Federal.

Espera-se que vozes assim continuem pugnando pelo saneamento ético do País.