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Assassino de afro-religoso é identificado e está preso

O 'Nego-Banjo' ou 'Pai-Banjo', como era conhecido, foi morto a tiros na frente do filho de 5 anos


Por: Redação ORM News Em 07 de março, 2017 - 12h12 - Polícia

Nego Banjo (Foto: Reprodução TV Liberal)

Patrick Santos de Melo, 23 anos, é o responsável por assassinar a tiros um dos afro-religiosos mais conhecidos da capital paraense em setembro do ano passado. Com fortes indícios de intolerância religiosa, 'Pai Banjo' ou 'Nego Banjo', como era conhecido, foi morto próximo da sua casa, no bairro do Guajará, em Icoaraci, na frente do filho de cinco anos. Após intensa investigação da Divisão de Homicídios (DH), Patrick foi reconhecido por testemunhas e identificado como o assasino. O delegado Jivago Ferreira, responsável pelo caso, saiu hoje para cumprir a prisão do criminoso, mas descobriu que o mesmo já estava preso desde novembro de 2016, após cometer outro homicídio que está em sigilo de justiça. 

Sem nenhuma outra motivação aparente que não fosse o ódio gratuito à uma crença, Patrick assassinou um dos maiores nomes das religões de matriz africana da capital do Estado. Natural de Salvador, o nome de registro do afro-religioso é Ivonildo dos Santos. De acordo com informações, ele costumava proteger a área onde morava, sendo totalmente contra o tráfico de drogas na região, o que pode ter influenciado para se tornar uma vítima, já que Patrick era conhecido por ser traficante do perímetro.

Assassino: Patrick Santos (Foto: Polícia Civil)

A justiça chegou até o criminoso após a DH receber uma denúncia pelo 181 afirmando a identificação do asssassino. O delegado Jivado procurou o nome de Patrick, como relatado na denúncia, pelo sistema judiciário e constantou que ele já tinha inúmeras passagens pela polícia nos anos de 2012, 2013, 2014 e 2015, todas por tráfico e roubo. Com a ficha criminal em mãos, Jivago conseguiu a foto do acusado e começou uma sequência de investigações com as testemunhas, sendo a mais difícil e principal testemunha o próprio filho de cinco anos do afro-religioso, que presenciou toda a cena. 

Para que fosse possível o depoimento da criança, o delegado informou que foi necessário um trabalho especial com uma psicóloga que, através de atividades lúdicas, foichegando até o caso e apresentou uma foto do suspeito para o pequeno, que o reconheceu, imediatamente, como a pessoa que matou seu pai. Nesse momento, não haviam mais dúvidas de que Patrick era o autor do homicídio. 

O acusado nega a autoria, mas agora responde por dois assassinatos ao mesmo tempo: o do Pai Banjo e o outro, cometido dois meses após, mas que está em sigilo da justiça. Por conta disso, o delegado declarou que espera que, diferente das outras vezes que foi detido, Patrick não seja liberado da cadeia em pouco tempo.

EMOÇÃO

Em um ato de saudade e esperança na justiça, algumas lideranças afro-religiosas, incluindo a esposa de Nego Banjo, se reuniram na manhã de hoje (7), em frente à Divisão de Homicídios (DH). Emocionada, a viúva declarou que, mesmo sabendo que a vida de seu marido, assim como de todas as outras pessoas que já foram assassinadas por intolerância, não vai voltar após a prisão de Patrick ou qualquer outro assassino, a justiça foi feita.

Maiume Ogun Nadewa, esposa do Ivanildo "Nego Banjo". (Foto: Victor Furtado)