Arlindo Cruz e Arlindo Neto: talento impresso no DNA

Sambistas fazem encontro familiar na capital paraense, ao lado de atrações locais: Nosso Tom e Arthur Espíndola


Por: O Liberal Em 03 de setembro, 2016 - 09h09 - Shows

Arlindo Cruz e Arlindo Neto, pai e filho, juntos no mesmo palco. Essa é a proposta do show “2 Arlindos”, que será realizado hoje, a partir das 22 horas, no Pará Clube. Além da presença da dupla o evento contará ainda com o show do grupo Nosso Tom e do cantor Arthur Espíndola. 

Juntos pela primeira vez em Belém os sambistas prometem empolgar o público com canções que fizeram história no samba. Segundo eles, o show contará com a apresentação de grandes clássicos que marcaram época, além de lembrar as canções atuais. A dupla também garante que na apresentação haverá espaço para as músicas novas de Cruz e Neto, além dos inúmeros sucessos do samba que Arlindo compôs, como “O Meu Lugar” e “Camarão Que Dorme A Onda Leva”. 

O novo show dos músicos é inspirado no álbum homônimo, que foi gravado de forma independente e apresenta 15 faixas que mostram as duas gerações do samba. “A ideia surgiu das nossas festas aqui em casa. A gente toca e canta em festa de São Jorge, festa de São João, é assim”, explica Arlindo Cruz, que não esconde a alegria de se apresentar ao lado do filho. Surgida naturalmente no cotidiano familiar, a parceria entre pai e filho é festejada. “Compor com ele é uma realização. Eu fico bem mais tranquilo em saber que ele não está na rua, está do meu lado. Qualquer coisa eu estico a mão e seguro ele neste mundo perigoso”, entrega o pai zeloso. 

Foto: Divulgação

Com mais de 30 anos de estrada, 20 álbuns e 700 composições gravadas por outros artistas, Arlindo Cruz teve o primeiro contato com a música aos sete anos, quando ganhou seu primeiro cavaquinho. No primeiro ano frequentando as rodas do Cacique de Ramos, teve 12 músicas gravadas por vários intérpretes. Pouco depois, passou a integrar o grupo Fundo de Quintal.

Seguindo o caminho do pai, Arlindo Neto se iniciou na música aos 13 anos, e lembra que ao ouvir os discos do grupo decidiu que queria ser sambista. “O Fundo de Quintal para mim, é a química perfeita do samba. Da boa música”, afirma Neto, que foi campeão de samba de enredo no concurso da escola mirim “Estrelinha da Mocidade”. “Desde garoto ele sempre gostou muito de samba de enredo, imitava Haroldo Melodia e outros puxadores. Ele gostava tanto que não sabia nem ler ainda, mas aprendia tudo”, recorda Arlindo Cruz.

O músico, que ao lado de Leandro Sapuchay, Xande de Pilares, Péricles e Mumuzinho comandava as rodas de samba no programa “Esquenta!”, revela que atualmente o seu desejo é estar perto de suas paixões. Dentre elas, o filho, o samba e os fãs. No palco, Arlindo Cruz confessa que, por vezes, se pega olhando com orgulho para o filho e o olhar de admiração é retribuído por Arlindinho. “É uma aprendizagem incrível, estou ao lado de um mestre, do melhor compositor para mim”, festeja Neto.

Noite terá ainda os talentos de Arthur Espíndola e Nosso Tom

Compositor, intérprete, multi-instrumentista e produtor, Arthur Espíndola, é uma das atrações da noite. Com um trabalho que dialoga com o samba e a música amazônica, promovendo o encontro rítmico do samba com pitadas de carimbó, lundu, síria, guitarrada, merengue, boi bumbá e outros ritmos regionais, o jovem faz parte da nova geração de artistas paraenses que vem conquistando seu espaço na cena musical brasileira. 

A mistura inusitada de ritmos presentes no show de Espíndola se dá em grande parte pela fusão de instrumentos como o curimbó, banjo regional, barrica, caixa de marabaixo e maraca, unidos ao instrumental tradicional de samba, como cavaquinho, pandeiro, surdo, tamborim, que criam uma forma bem particular de se fazer samba, considerado por alguns como “samba amazônico”.

Para chegar a esse resultado Espíndola fez uma pesquisa dos ritmos regionais e direcionou as raízes da música paraense para o samba. “Eu sentia a sintonia dos arranjos musicais de estilos diversos, que podiam dialogar muito bem e que o resultado seria muito bom”, explica Arthur. O jovem é músico desde os 10 anos de idade, quando começou com as aulas de musicalização no conservatório Carlos Gomes. Hoje, ele acumula trabalhos com grandes sambistas cariocas, como Neguinho da Beija-Flor e Sandra de Sá. 

Em junho de 2014, o artista lançou o CD Tá Falado, que conta com a participação da Velha Guarda da Mangueira, Gaby Amarantos, Luê, Felipe Cordeiro e Mestre Curica. Com cinco videoclipes gravados e disponíveis na internet ele garante que os principais sucessos de sua carreira serão a trilha da noite. 

Além do jovem, o grupo Nosso Tom completa a festa. Formado por Julio Cezar (vocal), Maurinho (pandeiro), Jed (bateria), Marquinho (tantan), Erlon (teclado) e Juninho (cavaco), a banda levará os sucessos de pagode para a noite.

Desde 1999 nos palcos, o grupo já tem três CDs e dois DVDs gravados na carreira. Após dois meses na capital paulista, o Nosso Tom alcançou destaque com a música de trabalho “Pra Valer” e “Jura”, que estarão presentes no show deste sábado, que pra o grupo será um momento muito especial, já que, os garotos do Nosso Tom são grandes fãs de Arlindo Cruz e sempre lembram algumas canções dele em seus shows.