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Ano ainda será de incerteza na economia, segundo Fapespa

Estudo da Fapespa prevê cortes de 15,6 mil postos de trabalho no Pará


Por: O Liberal Em 08 de janeiro, 2017 - 10h10 - Economia

Eduardo Costa. Foto: Fábio Costa/ O Liberal

Apesar das medidas anunciadas pelo Governo Federal para aquecer a economia, a previsão é de que o ano de 2017 ainda seja muito difícil para os brasileiros. As projeções estão sendo formadas e os números ainda não são aqueles que a população espera. Somente no Pará, a expectativa é que sejam fechados 15.600 postos de trabalho em 2017, conforme dados preliminares da Federação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisa (Fapespa). “Se tem uma palavra que para mim caracteriza a economia brasileira é incerteza. Nesse cenário, o consumidor não compra e o empresário não investe”, ressalta o presidente da Fapespa, Eduardo Costa.

Os números completos e fechados devem ser apresentados no próximo dia 25, durante o Seminário que irá abordar as perspectivas e projeções para a economia brasileira e paraense para 2017. O evento, que será realizado na Federação das Indústrias do Pará (Fiepa) e transmitido ao vivo na internet, com a presença do presidente do Conselho Federal de Economia, Júlio Miragaya, e representantes do Governo do Estado, que irão fazer análise sobre alguns programas do Executivo Estadual, como o Pará 2030. 

De acordo com Eduardo Costa, para fazer qualquer projeção sobre a economia paraense em 2017, é preciso ter clareza do cenário mundial e nacional. O mundo deve ter um crescimento do PIB de cerca de 3%. No caso da União Européia, o crescimento esperado é de 3,3%, mas há incerteza por causa da saída do Reino Unido. O que mais terá impacto no Pará, no entanto, é a situação das economias chinesa e americana, uma vez que esses dois países são os maiores parceiros comerciais do Estado. Análises mostram que o PIB da China deve crescer cerca de 6%. “Tu tens um crescimento menor que uma série de crescimento histórico na China e um cenário de ajuste na economia americana”, observou.

Nos Estados Unidos, o novo presidente, Donald Trump, deverá adotar uma política fiscal mais expansionista, com aumento dos gastos públicos. Isso deve aumentar a taxa de juros, provocando um efeito dominó no mundo. Para combater a inflação, o Banco Central americano programou aumento das taxas de juros. Os títulos do tesouro americano competem com os títulos dos países emergentes e parte dos investidores no Brasil pode passar a investir nos Estados Unidos. Essa política também deve provocar a valorização do dólar, o que terá impacto nas exportações, principalmente no Pará, que exporta commodities. “No fundo, o cenário econômico (conforme a análise da economia mundial) não é pessimista, mas não é super otimista. É estável”, observa Costa. 

No que diz respeito ao cenário nacional, a expectativa é que o Brasil só consiga crescimento no PIB a partir do segundo semestre de 2017. O presidente da Fapespa observa que tudo depende das medidas macroeconômicas adotadas pelo Governo Federal, entre elas a PEC dos gastos públicos, a reforma da previdência e a reforma tributária. As estimativas de crescimento para 2017 variam de 0,3% para 0,5%. Para especialistas, a tendência é que haja uma recuperação econômica a partir do segundo semestre, mas ela deve ocorrer de forma “lenta e instável”, ou seja, pode oscilar. 

Eduardo Costa faz uma análise diferente. “Eu acho que para o Brasil voltar a ter um crescimento sustentável, precisamos de estabilidade institucional, que envolve Governo Federal e Congresso. Acredito que só vamos ter essa estabilidade após a eleição de 2018. Inevitavelmente, estamos diante de uma década perdida. O Brasil só deve voltar a crescer em 2019”, declarou

Balança comercial do Pará mostra estabilidade

Os números de 2016 do Estado estão sendo fechados, assim como as projeções para 2017. A expectativa é que a balança comercial paraense permaneça estável, com resultado parecido ao do ano passado. No último levantamento, de novembro, a balança comercial registrava R$ 8,3 bilhões, mas deve ultrapassar os R$ 9 bilhões quando fechar os dados de dezembro. Para 2017, a previsão inicial é movimentar R$ 9,8 bilhões. As exportações, por exemplo, até novembro, já estavam em R$ 9,3 bilhões e para esse ano a previsão é de R$ 10,9 bilhões. Enquanto isso, as importações devem ficar em R$ 1,1 bilhão esse ano - até novembro do ano passado elas acumulavam R$ 1 bilhão. 

A indústria extrativa, que até outubro teve um crescimento de 13,3%, em 2017 deve crescer menos: 10,6%, conforme projeção preliminar da Fapespa. Já a indústria de transformação deve continuar em queda. A expectativa é que ela encerre o ano com produção 2,2% menor - até outubro do ano passado, ela já registrava -7%. As vendas no varejo paraense, que sofreram queda de 13,3% até outubro, devem fechar o ano com um aumento de 2,2% em 2017, enquanto a receita desse setor crescerá 8,6%. 

O setor de serviços deve continuar em queda. A previsão para esse ano é que o número negativo seja de 1,7%. Até outubro do ano passado, a queda nesse setor já estava em 4,8%. 

Confirmando a previsão inicial da Fapespa, para 2016, de que o Pará teria um saldo negativo de 30 mil empregos ano passado, até novembro, esse saldo já estava em -28.463 postos de trabalho. Para 2017, a previsão da Federação é que o saldo seja de -15.600. 

Comércio

Cenário ainda é preocupante

O Boletim Comércio Varejista e de Serviços, do terceiro trimestre de 2016, já mostrava um cenário preocupante. Nesse período o setor varejista paraense apresentou recuo de 15,2% em relação ao mesmo período do ano anterior - foi a segunda baixa mais acentuada de todo o País, atrás apenas do Amapá (-18,1%). O endividamento das famílias caiu de 75,7% de janeiro para 49,9% em setembro, resultando em uma média de 67,43%. Por outro lado, a inadimplência aumentou: o percentual de famílias com dívidas em atraso cresceu 14,2%. Em relação ao mercado de trabalho no setor varejista paraense, no terceiro trimestre, o saldo de vínculos formais foi negativo em 1.271.