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Amazônia está livre de mudanças climáticas, diz estudo

Processo de 'savanização' na floresta amazônica está descartado


Por: O Liberal Em 13 de abril, 2014 - 10h10 - Amazônia

Há sete anos, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que reúne cientistas do mundo todo para refletir sobre as mudanças climáticas, previu um processo de 'savanização' na floresta amazônica. Agora, no último relatório, divulgado na semana passada, isso está descartado. Na avaliação do meteorologista e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Edson José Paulino da Rocha, a mudança de posicionamento do IPCC ocorreu por causa de problemas de cálculos feitos nas projeções dos modelos climatológicos. Situação que não deve ser repetir por causa da evolução dos atuais métodos dos trabalhos científicos.

Foto: Inpe

'Os resultados científicos sobre os quais o IPCC tomou por base para a previsão de savanização da Amazônia eram baseados em modelos numéricos que não apresentavam a dinâmica de recomposição natural da floresta, entre outros problemas de modelagem. Os modelos numéricos de previsão de tempo e clima atuais, apresentam sub-rotinas de processamento das interações solo, planta e atmosfera e de outros processos que os modelos até dez anos atrás não apresentavam. Assim, os resultados atuais são mais realistas, dada a evolução das metodologias e formulações mais apropriadas para os processos no Sistema solo-planta-atmosfera. Portanto, a mudança do IPCC reflete esta evolução dos modelos climatológicos’’, assinala Rocha.

Sobre a consideração de cientistas, incluindo alguns do IPCC, que não afastam, no entanto, o risco da Amazônia sofrer com uma redução das chuvas ou até secas mais severas em sua parte leste, o coordenador do Programa de Pós da UFPA, disse que os resultados científicos atuais ‘’não são conclusivos ainda com relação ao aumento ou à redução das chuvas na região amazônica (períodos secos e chuvosos ou cheias e secas dos rios)’’. Ele destacou que ‘’a intensificação de chuvas ou de secas em geral está associada aos fenômenos El Niño e La Niña, isto é, ao aquecimento e resfriamento das água do Pacífico, no litoral do Peru’’.