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Amazônia Legal teve desmatados quase 8 mil km²

Avanço da destruição no Pará é 41% maior que no ano passado


Por: O Liberal Em 03 de dezembro, 2016 - 09h09 - Amazônia

Foto: Oswaldo Forte / O Liberal (arquivo)

Este ano o desmatamento na Amazônia Legal chegou a 7.989 km2 (quilômetros quadrados). A área equivale a oito vezes o tamanho da cidade de São Paulo, a maior do Brasil, com 968,3 km². Foi a maior taxa desde 2008, quando atingiu 12.911 km² e 29% maior que em 2016, quando alcançou 6.207 km². Em 2016, o Pará foi o estado que mais desmatou com 3.025 km² sendo 41% a mais que o ano passado, com 2.153 km², quando foi de novo o primeiro no ranking. A estimativa da taxa de desmatamento na Amazônia é do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a taxa de 7.989 km² de corte raso vai de agosto de 2015 a julho de 2016.

Ainda de acordo com os dados, a distribuição do desmatamento, nos anos de 2015 e 2016, aumentou na maioria dos estados que compõem a Amazônia Legal. As exceções foram o Amapá, que caiu de 25 km² para 24 km² (-4%) e o Mato Grosso, de 1.601 para 1.508 (-6%). Na outra ponta, além do Pará, cresceu no Acre (de 264 km² para 389 km² atingindo 47%), Amazonas (de 712 para 1.099 com 54%), Maranhão (de 209 para 61 com 25%), Rondônia (de 1.030 para 1.394 com 35%), Roraima (de 156 km² para 209 km², com 34%) e Tocantins (de 57 km² para 80 km² com 40%). 

Nos últimos 10 anos, os dados revelam, ainda, que desmatamento na Amazônia Legal foi a maior taxa desde 2008, quando o desmatamento atingiu 12.911. Em 2006 foram desmatados 14.286 km², 2007 (11.651 km²), 2008 (12.911 km²), 2009 (7.464 km²), 2010 (7.000 km²), 2011 (6.418 km²), 2012 (4.571 km²), 2013 (5.891 km²), 2014 (5.012 km²), 2015 (6.207 km²) e 2016 (7.989 km²). 

Segundo o Inpe, que pertence ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, com o Prodes o Instituto realiza o monitoramento sistemático na Amazônia Legal e produz, desde 1988, as taxas anuais de desmatamento na região, que são usadas pelo governo brasileiro para avaliação e estabelecimento de políticas públicas relativas ao controle do desmatamento ilegal. Os dados são imprescindíveis para toda a sociedade e embasam ações bem-sucedidas como a Moratória da Soja e Termo de Ajuste de Conduta da cadeia produtiva de carne bovina, entre outras iniciativas.

O mapeamento utiliza imagens do satélite Landsat (30 metros de resolução espacial e frequência de revisita de 16 dias) ou similares, numa combinação que busca minimizar a cobertura de nuvens, para registrar e quantificar os eventos de desmatamento com áreas maiores que 6,25 hectares. Considera-se como desmatamento a remoção completa da cobertura florestal primária por corte raso, seguida ou não por ocorrência de fogo e independentemente da futura utilização destas áreas.