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Alimentação e novos mercados

Em momentos de crise econômica, a alternativa é abrir espaço para os produtores locais


Por: O Liberal Em 09 de janeiro, 2017 - 07h07 - Editorial

Nos últimos dez anos, o Brasil começou a se destacar na produção de alimentos orgânicos, mas, as realidades de oferta e consumo são discrepantes entre as regiões. Sem contar que os produtos são vendidos com preços bem mais altos em supermercados do que em feiras. Ainda assim, o fenômeno pela procura de alimentação saudável pode trazer benefício aos Estados da região Norte, com destaque para o Pará.  

Em momentos de crise econômica, a alternativa é abrir espaço para os produtores locais, oferecendo espaço para que consigam se relacionar de fato com o mercado consumidor crescente. De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que elaborou um mapa das feiras orgânicas no Brasil, cerca de 140 feiras especializadas funcionam em 22 capitais, mas somente seis delas estão na região Amazônica.

Feiras quinzenais ou semanais são organizadas em praças ou centros de distribuição das capitais do Pará, Amazonas, Roraima, Amapá, Acre e Rondônia. Os comerciantes, geralmente os próprios produtores, oferecem frutas, legumes e hortaliças orgânicos a baixo custo, mas não dão conta da demanda, que acaba direcionada a redes de varejo. Mas, de acordo com o Idec, produtos que custam preco X em uma feira orgânica, podem ser vendidos com valor até quatro vezes maior em outros estabelecimentos, por conta da transferência dos custos adicionais de transporte, acondicionamento, etc. 

A realidade é uma contradição, já que as características da Amazônia oferecem soluções para a redução do uso de agrotóxicos no Brasil, responsável por 19% do consumo mundial de produtos químicos destinados à proteção de plantações contra pragas. Dos 300 milhões de hectares de toda a atividade agropecuária brasileira, somente 1,5 milhão de hectares são destinados ao cultivo de produtos orgânicos, aponta o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O crescimento da produção de alimentos orgânicos é um desafio para o Brasil, apesar do desenvolvimento do setor no eixo Sul-Sudeste. A grande questão é a certificação e o selo de garantia, exigidos dos produtores desde 2011 - e que demandam altos custos e capacitação técnica.

Segundo a Comissão da Produção Orgânica do Pará (CPOrg-PA), a região Norte responde por somente 2,6% da venda de orgânicos no País. A maior parte dos orgânicos vendidos no Norte não é certificada, indica o mais recente Censo Agropecuário do IBGE. Mas outras iniciativas mostram o potencial da região, como a produção de guaraná, castanha e cacau orgânicos no Pará e Amazonas, que já ganhou o mercado internacional. Os caminhos estão abertos.