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'Desfile em carro aberto era emocionante', diz Rainha de 56

Cléa Chady, candidata da Assembleia Paraense, relembra momentos marcantes que envolveram o concurso


Por: Lidiane Sousa (ORM News) Em 23 de janeiro, 2014 - 11h11 - Rainhas

O desfile em carro aberto marcou o Rainha das Rainhas. Em suas primeiras décadas de criação, um clube era escolhido para reunir todas as candidatas participantes, que de lá saiam em carros abertos rumo ao local escolhido para sediar o evento naquele ano. Essa emoção é relembrada com carinho por várias candidatas, entre elas Cléa Chady Farah, vencedora do concurso no ano de 1956, pela Assembleia Paraense. 

Cléa (segunda a direita) e suas adversárias no Rainha das Rainhas, em 1956 / Foto: Arquivo pessoal

‘Dávamos uma volta pela cidade até o clube do evento e era muito engraçado, porque todo mundo ficava nos esperando passar’, conta. A expectativa do público era tão grande que ela chega a comparar com outro grande momento muito esperado pelo povo paraense. ‘As pessoas ficavam nas calçadas aguardando para ver as candidatas e suas fantasias, que nem no Círio, no traslado rodoviário, que as pessoas ficam esperando a passagem da imagem peregrina. Era emocionante’, acrescenta.

Desfile no baile de Máscaras da Assembleia Paraense e, ao lado, recebendo a faixa de Rainha das Rainhas das mãos de Marly Braga Rodrigues, coroada em 1955 / Foto: Arquivo pessoal

Em entrevista ao ORM News, ela relembrou ainda outros momentos importantes, como o seu quase ‘não casamento’. Em um mesmo dia, ela ganhou o concurso do Baile de Máscaras e de Rainha da Assembleia, que a escalava para representar o clube no Rainha das Rainhas. Mas além da decisão dos jurados, havia uma aprovação mais importante e delicada: a de seu, na época, noivo, Antonio Jorge Farah.

‘Nosso casamento estava marcado para o mês seguinte e ele não queria que eu desfilasse, caso contrário cancelaria a cerimônia. A diretoria do clube foi então conversar com ele e convencê-lo a ceder, explicando que só participavam do concurso moças de família e que a organização era muito séria. Depois de muita insistência, ele não se opôs, mas preferiu não assistir ao desfile’, recorda.

Cléa e as recordações de sua vitória no concurso / Foto: Lidiane Sousa (ORM News)

O concurso marcou a juventude de Cléa, que se considera recordista de títulos. Em menos de 24 horas, ganhou três. ‘Um dia antes do concurso, teve o Baile de Máscaras da Assembleia. Eu participei e acabei ganhando como melhor fantasia e, ainda naquela festa, anunciaram quem iria representar o clube no Rainha das Rainhas e me escolheram também. No dia seguinte, na terça-feira gorda, desfilei e acabei levando o título de Rainha das Rainhas do Carnaval paraense’, afirma. 

Até hoje, a representante do concurso de 1956 guarda fotos, recortes de jornais, revistas e, claro, a joia e as faixas do Baile de carnaval da Assembleia e a de Rainha das Rainhas. ‘Eu fiquei muito emocionada com a vitória. Foi uma felicidade’, acrescenta. Cléa disputou o prêmio com mais sete candidatas e desfilou com a fantasia ‘Águia de Marte’, um maiô todo em paetê vermelho, com detalhe em pérolas nas pernas, além de plumas na cabeça e nos quadris.