Mais Acessadas

A negação da democracia

Incêndios, atentados, mortos e feridos não condizem com processos eleitorais democráticos


Por: O Liberal Em 03 de outubro, 2016 - 08h08 - Editorial

Por que as eleições ocorridas ontem foram uma das mais violentas dos últimos anos? Por que tantos baleamentos, ameaças, ataques a ônibus e a locais de votação? Por que, num momento em que a democracia poderia se afirmar como um regime representativo por excelência, as divergências e os confrontos de interesses desaguam em balas, feridos, mortes e destruições?

Candidatos, partidos, analistas, cidadãos, enfim, todos os segmentos que efetivamente participam do processo eleitoral e democrático precisam debater seriamente essas questões, por serem tão relevantes quanto apurar-se a razão dos elevados índices de abstenção e o mérito das escolhas de prefeitos e vereadores nos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

E por que esses eventos marcados por violência e criminalidade precisam ser seriamente debatidos? Porque, independentemente do grau de letalidade de cada um, é necessário aferir-se até que ponto os valores democráticos estão sendo usurpados por expectativas incondizentes com as aspirações de segmentos diversos da sociedade.

No Maranhão, por exemplo, ataques foram iniciados na última quinta-feira, quando quatro ônibus do transporte público foram incendiados em São Luís. Na capital, os bandidos também atacaram um caminhão de lixo e um carro da companhia energética. Duas agências bancárias foram atingidas por vários tiros. Em poucas horas, houve 24 atentados na Região Metropolitana de São Luís.

Como não considerar assustador, por exemplo, o incêndio de locais de votação na capital marahense? Ainda no sábado à noite, mais dois locais foram alvos dos criminosos, aumentando para sete o número de colégios eleitorais atacados no Estado entre quinta-feira e ontem.

Também em São Luís, na madrugada de ontem, houve um princípio de incêndio na parte externa da Unidade Integrada Governador Archer. Ao perceberem a presença de cinco criminosos, os militares atiraram em direção deles, que voltaram após 20 minutos disparando contra os militares.

Em Goiás, outro caso assustador. Na quarta-feira passada, o vice-governador José Eliton (PSDB), de 44 anos, foi baleado, no abdômen, durante carreata em Itumbiara, região sul do Estado. Um atirador atingiu quatro pessoas e foi morto por seguranças do governo. Morreram no atentado o candidato à prefeitura de Itumbiara José Gomes da Rocha (PTB), de 58 anos, conhecido como Zé Gomes, e o cabo da PM Vanilson João Pereira, de 36 anos.

Em vários outros municípios, inclusive no interior dos dois maiores Estados, São Paulo e Rio, ocorrências semelhantes foram registradas.

Isso não é incondizente com o processo democrático? Pode ser considerado “normal” numa democracia?