Mais Acessadas

A hora e a vez do eleitor


Por: O Liberal Em 21 de agosto, 2016 - 08h08 - Editorial

As Olimpíadas chegam ao fim e o brasileiro retorna à rotina do noticiário político e econômico da crise. A pausa - que serviu para desanuviar, uma espécie de férias coletivas dos problemas maiores do país - uma vez que a preocupação maior nesse período foi com medalhas, jogos - e por que não dizer, lazer? -, chega ao fim, com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Os próximos lances no tabuleiro de xadrez da política envolvem uma série de questões. Ao que tudo indica, pelo último placar da votação que autorizou a continuidade do processo contra a presidente Dilma, no Senado, a decisão deve ser confirmada em plenário, culminando com o afastamento definitivo da presidente.

Mas nem tudo são flores para o presidente interino Michel Temer, que, precisando de votos para se manter definitivamente no cargo, vem cedendo a pressões de aliados, principalmente do seu próprio partido. Resta saber se manterá essa postura na relação com o Congresso, ou se dará ao seu governo uma nova cara.

Os empresários já cobram medidas econômicas mais duras para a retomada do crescimento. Espera-se, já na próxima semana, que o governo anuncie aumento de impostos, medida impopular que vinha sendo procrastinada até o último minuto do segundo tempo para não desgastar o governo junto à opinião pública.

Se para tirar a economica do fundo do poço, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, terá que adotar medidas impopulares, o governo Temer deve preparar-se também para o julgamento público, a exemplo do que ocorreu com Dilma Rousseff.

E desta vez não tem mais a emoção do ouro olímpico para mascarar sérias decisões que irão afetar os rumos do País. O novo governo, se veio para ficar, deve dizer à população a que veio, e não apenas dar continuidade a um projeto de poder político, como o que tem se verificado na vida pública brasileira, quando agentes que deveriam cuidade da coisa pública se apropriam dela como se fosse privada.

Há que se levar em conta, ainda, que estamos às vésperas de uma eleição. Diante dos recentes escândalos políticos envolvendo financiamento de campanha com dinheiro oriundo de propinas, a Justiça Eleitoral tomou as devidas providências para barrar o caixa 2 das campanhas. As doações de empresas estão proibidas pela nova Lei Eleitoral.

A propaganda política também ficou mais restrita, tanto no espaço público que pode utilizar, quanto no teto dos gastos. Cabe, agora, à população fazer a sua parte e dar uma resposta nas urnas, afasfando de vez da vida política brasileira os chamados “políticos profissionais” - alguns inclusive dispensam apresentação no próprio Pará - que nunca tiveram carteira de trabalho assinada, mas construíram fortuna à custa do erário. Pois mesmo o salário dos parlamentares, por mais gordo que possa ser, não é suficiente para erguer torres. 

Desta vez, é o eletor quem deverá estar no topo da torre, à espreita, vigilante aos novos lances que esse políticos tentarão dar para se manter no poder. 

E tal, qual no Big Brother, chegou a hora de eliminá-los.