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A carne é fraca, o governo e a ética


Por: O Liberal Em 19 de março, 2017 - 07h07 - Editorial

P arece que, no Brasil, a corrupção não tem limites: vai do esporte, com suspeitas de pagamento de propina para escolha de sedes olímpicas, a mensalões, petrolões e - pasmem ! - até a venda de carne estragada com o beneplácito de fiscais que deveriam zelar pela qualidade do alimento consumido pela população e políticos que se beneficiam do propinoduto que transformaram o país, respingando no PP e no PMDB.

Gravações telefônica feitas pela Polícia Federal capturaram uma conversa entre os sócios de um frigorífico sobre a utilização de carne de cabeça de porco, proibida pela legislação, na composição de embutidos.

A operação identificou uma série de irregularidades nos frigoríficos, entre eles o JBS e BRF, como a utilização de quantidades de carne menor do que a necessária para determinados produtos, onde se incluíam outras substâncias, e até mesmo a utilização de carnes estragadas misturadas a salsichas e linguiças, uma verdadeira “maquiagem” com a utilização de substância cancerígena como ácido ascórbico, além de carnes sem rótulo ou refrigeração e falsificação de notas fiscais.

A descoberta fez o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, levar as mãos à cabeça, uma vez que o estrago da imagem do Brasil no mercado internacional trará prejuízos incontáveis, com possíveis perdas de clientes de outros países. O escândalo de corrupção envovendo fiscais do Ministério - 33 deles foram afastados das suas funções - respingou nos partidos políticos, uma vez que o PMDB - sempre o PMDB! - e o PP seriam beneficiários de propina em troca de influência política em benefício dos frigoríficos.

Não é à toa que as gravações revelam que o atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio, quando deputado, falando com o superintendente de uma regional do setor pedindo para checar a situação de um frigorífico, onde a fiscalização ameaçava fechar o estabelecimento.

O Palácio do Planalto isentou o ministro de qualquer responsabilidade, mas o estrago já está feito. Mais do que as salmonelas de carnes estragadas, parece que é no próprio governo que há algo de podre no ar, uma vez que não cessam os escândalos envolvendo o partido do presidente Michel Temer, trazendo sempre à baila ministros por ele indicados.

Tal qual o papelão misturado à carne utilizado pela organização criminosa que administrava esses frigoríficos para burlar a fiscalização, o governo aos poucos se fragiliza, consumido por denúncias e mais denúncias que culminam em prisões e mais e mais escândalos.

Em um dos comentários sobre a Operação, um internauta postou o seguinte texto: “Meu Deus… será que este país não tem mais jeito? Como pode alguém vender carne estragada, será que não imagina que uma criança vai comer esta carne? Vai ficar com sequelas ou morrer? Tem que ter pena de morte pra crime hediondo e terrorismo, estes assassinos têm que morrer, pra não matar mais ninguém ... imagina quantas milhares de pessoas já consumiram esta carne podre? tem que passar fogo”.

Que a carne é fraca, a Bíblia já dizia, mas no Brasil parece que não é somente a carne, mas principalmente as consciências, as condutas, os comportamentos, onde reinam a moral decadente e a falta de ética, coisas que quase ninguém sabe do que se trata. Sem falar, principalmente, na falta de vergonha.