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Gaviões e Kayapós fazem a festa na arena


Por: Redao Online Em 18 de agosto, 2005 - 21h09 - Amazônia

Começam as despedidas nos II Jogos Tradicionais Indígenas, em Altamira, no sudoeste do Estado. Nesta quinta-feira (18), encerraram as disputas na arena montada para as modalidades tradicionais. O governador Simão Jatene esteve nas arquibancadas, acompanhando as finais do cabo de guerra e arco e flecha.

No arco e flecha, o vencedor foi da tribo Kayapó, conquistando o primeiro título para a etnia nos Jogos. Byti, de aproximadamente 50 anos, acertou em cheio o olho do peixe pintado numa tela, que servia de alvo e definia a pontuação de cada atleta. Segundo Tyago Kayapó, quando ainda preparava a pontaria, ele se virou para sua tribo e disse 'vou acertar o olho'. E acertou, levantando a platéia. Mesmo sem falar português, o arqueiro vencedor quis deixar uma mensagem para a platéia e ao governador, traduzida por Tyago. 'Fiquei alegre pelo governador ter chegado, alegre como todo mundo aqui e acertei o olho', disse. Segundo Byti, o treinamento é no dia-a-dia. 'Treino mesmo é na caçada. Aqui vim para fazer festa e alegria', disse sorridente.

A tribo Kayapó não foi a única a agradecer ao público. Após a apresentação cultural que abriu a tarde, a tribo Parakanã pediu o microfone. 'Saímos daqui muito alegre, obrigado estudantes, obrigado Altamira, obrigado gente da gente', fazendo a platéia aplaudir, retribuindo o agradecimento.

A parte esportiva começou com demonstração do Penkrã, ou simplesmente o jogo de peteca dos Xikrins . A grande diferença fica na tradição indígena. Na aldeia, quando um jogador não acerta a peteca, ele é retirado do círculo e tem a perna raspada até sair sangue, com uma espinha de peixe. Nos Jogos Indígenas, o índio era apenas empurrado para fora do círculo, em uma grande brincadeira. Até mesmo seis pessoas da platéia foram convidadas para jogar. O vencedor foi o estudante Gleison Silva, de 14 anos, que levou para casa uma autêntica peteca do povo Xikrin. 'Vou guardá-la na minha prateleira, junto com as medalhas que ganho no futebol', afirma Gleisson.

Em seguida, os Xikrins fizeram outra brincadeira, que é a Krua, onde são formadas duas equipes e cada representante por vez tem de acertar uma lança, sem ponta, no seu adversário. Antes do início das decisões, o governador Jatene chegou na arena e acompanhou as semifinais do cabo de guerra, masculino e feminino.  Nas finais, a tribo Gavião levou novamente a melhor e já sagrou-se a grande vencedora dos Jogos. Com uma técnica diferente, a equipe Gavião venceu nas categorias e homens e mulheres deram mais uma volta pela arena.

Pela primeira vez, os Jogos foram interrompidos por uma chuva, que durou cerca de quinze minutos e causou um breve intervalo. Mesmo assim, o público permaneceu na arena e voltou para as arquibancadas. Sara Lorenz, da coordenação geral dos Jogos, observava as pessoas voltando para as arquibancadas com um sorriso. 'Fico feliz em ver que eles estão gostando tanto. Nem mesmo a chuva atrapalhou. Era isso que nós queríamos', disse. O governador, já dentro da arena, cumprimentou os indígenas, recebendo um cocar da tribo Wai-Wai e sendo pintado pelas mulheres Gavião.

Nesta sexta-feira (19), pela manhã, acontece a corrida de fundo, de três quilômetros, mas que poderá ter o trajeto modificado para evitar casos de desgaste dos atletas, como vem acontecendo nos últimos dias, devido ao forte calor. Pela noite, na arena dos Jogos, acontece a cerimônia de encerramento dos II Jogos Tradicionais Indígenas.