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Arena dos Jogos Indígenas vira sala de aula


Em 16 de agosto, 2005 - 17h05 - Amazônia

Redação Online
De Altamira

Melhor que aprender na teoria, é conhecer na prática. É nisso que acredita a professora Rose Medeiros, do Colégio Antônio Vieira, de Altamira. Ela resolveu tirar os alunos da sala de aula por dois dias e levá-los para os II Jogos Tradicionais Indígenas do Pará.

Nesta terça-feira (16), ela acompanhava quatro turmas, reunindo cerca de 60 alunos. Na segunda (15), ela esteve com o grupo das turmas de 5ª, 6ª e 7ª séries. Mas a ida até arena dos Jogos não foi apenas um passeio. 'Eles vão ter que me entregar um trabalho escrito, falando das cores, tribos e do que eles
gostaram mais', explica a professora. Ela também acredita que este tipo de atividade ajuda a desmitificar o índio. 'Muitos deles tem alguém na família, um avô por exemplo, que lutava contra os índios. Isso precisa acabar, porque no próprio âmbito familiar, em alguns casos, eles têm uma imagem negativa dos índios. Vindo aqui, eles aprendem o contrário, aprendem a respeitar os índios', avalia.

Segundo Rose, que dá aulas de artes, cada disciplina pediu um trabalho diferente, mas todos voltados ao que está acontecendo na arena. 'Eu pedi um trabalho sobre as cores e pinturas corporais. Já o professor de Geografia pediu sobre as etnias e a localização. O de matemática vai explicar sobre o tempo da corrida de tora e os números de participantes. Cada um trabalha na sua área e o retorno é muito bom', explica ressaltando que é muito mais gostoso aprender assim.

Além dos alunos aprenderem, estudantes que são de origem indígena passaram a se orgulhar de ser índio. 'Tenho alunos que são das tribos daqui, mas nunca
falavam. Hoje, os colegas estão vendo que eles estão na arena, eles são as estrelas da festa. Então, se enchem de orgulho da origem, isso é excelente
para a auto estima', conta.

A estudante Eloísa Freitas, de 11 anos, está fazendo o seu trabalho sobre o arco e flecha. Ela comemora a aula diferente que teve nesta terça-feira. 'É bem melhor do que estar na sala. É tudo muito lindo e acho que a gente aprende mais, porque não vai esquecer o que vê aqui.', disse a aluna da 5ª série.