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Abertura dos Jogos Indígenas empolga Altamira


Por: Redao Online Em 14 de agosto, 2005 - 22h10 - Amazônia

Redação Online
De Altamira

Cores fortes, gritos entusiasmados e muita emoção. Foi assim a abertura do II Jogos Tradicionais Indígenas do Pará, neste domingo (14), em Altamira, no sudoeste do estado. E a festa foi apenas uma prévia do que vai acontecer durante toda a semana, já que os Jogos só terminam na sexta-feira (19).

A presença em massa do público superou as expectativas da organização do evento. A arena montada na  Colina, distante cerca de três quilometros do centro da cidade, estava preparada para quatro mil pessoas, mas, segundo o Corpo de Bombeiros, quase sete mil pessoas prestigiaram a abertura do evento. 'As arquibancadas tem um limite, mas abrimos a área reservada e o público tomou conta. Ainda assim, mais de mil pessoas ficaram do lado de fora', afirma o Capitão Benjó.

Quem não conseguiu entrar, pôde acompanhar tudo por um telão montado do lado de fora da arena. Foi o caso de Marcina Gomes, de 63 anos. 'Foi uma boa idéia montar esse telão. Nunca vi nada parecido, é tudo muito lindo', disse.

O show de abertura, sem exageros, já que pode ser classificado como um verdadeiro espetáculo, começou às 18h30. A arena e os participantes receberam votos de paz e sucesso. O Pajé da tribo Araweté iniciou os trabalhos fazendo uma volta na arena, o ritual oficial da pajelança.

Mesmo sem entender a língua e as orações do índio, o povo compreendeu a mensagem e aplaudiu de pé, emocionado. Para Marcos Terena, coordenador do Comitê Intertribal e membro da ONU para assuntos indígenas, 'oração é coração. Não precisa de igreja ou templo, basta estar na terra, agradecer pela luz, ao céu, às forças das águas e a vitalidade da terra. É um ciclo perfeito e sempre agradecemos ao criador, de brancos, negros e índios', disse Terena, ao explicar a pajelança para a platéia.

Logo depois, as tochas em torno da arena foram iluminadas pelo fogo, aceso no sábado (13), pelos indígenas da tribo Asurini do Tocantins. Em seguida, um grupo da tribo Wai-Waio fez o ritual de agradecimento. Com isso, iniciou a entrada das vinte tribos na arena. Parakanãs e Wai Wais empolgaram o público, entrando com dança e levantando a platéia. A banda sinfônica de Altamira tocou o Hino Nacional, cantado por todos, em mais um momento emocionante.

Após os pronunciamentos de Gerson Peres, secretário de Promoção Social representando o governador Simão Jatene, o secretário de Esporte e Lazer, José Angelo Miranda, a prefeita de Altamira, Odileida Sampaio e Marcos Terena, o fogo da pira olímpica indígena foi aceso por um representante da tribo Kayapó. Em seu discurso, Marcos Terena falou sobre na atual crise política. 'Vocês estão vendo aqui o que temos de melhor, que é nossa cultura, nossa tradição, algo que nos orgulha. Mas também fazemos parte dessa sociedade e estamos criando uma consciência. Também na política, para que possamos votar em alguém digno, que não seja corrupto. E isso vale para vereador, deputado, senador ou até mesmo presidente da república. Estamos nos preparando, porque temos orgulho do que somos', disse, arrancando aplausos das arquibancadas.

Com o fogo aceso, os indígenas da tribo Gavião fizeram uma demonstração da corrida de tora. Em seguida, os Assurini do Xingu atiraram flechas e
começaram o show pirotécnico, que encerrou a festa. Os fogos terminaram com a mensagem 'Pensar índio', excrita no ar. Segundo Marcos Terena, a frase tem um significado forte. 'Ela é um lema que significa que o índio tem que compreender sua riqueza, seu papel e sua importância. Mas esse pensar índio temos que levar não apenas para a sociedade, mas também para o Governo Federal. Mostrar que temos metas, planos de educação e proteção. Não podemos mais ser deixados de lado ou excluídos das políticas públicas. Nós não estamos brincando de índio', emociona-se Terena.

No final da cerimônia, a prova da conquista dos índios. A simpatia e admiração do público é toda para eles. Além de tirar fotos com os indígenas, alguns até mesmo pediram autógrafo aos índios. E esse, é só o começo.