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Antes da abertura dos Jogos, índios treinam


Em 14 de agosto, 2005 - 16h04 - Amazônia

Redação Online
De Altamira

Nada de concentração ou descanso antes do início dos Jogos Tradicionais Indígenas do Pará. O número de índios surpreendeu e chega a quase 700, boa parte alojada na Escola Agrícola de Altamira. São vinte salas e quatro ocas. Além disso, mais de 40 índios se instalaram na Casa do Índio, no centro da cidade.

Neste domingo (14), acontece a abertura oficial dos Jogos, na Arena montada no alto da cidade. Enquanto esperam a hora dos torneios, várias tribos treinam. Ou melhor, se divertem em `rachas` de futebol.

Desde às seis horas da manhã que mais de cem índios, todos homens, disputam partidas de futebol, no campo da Escola. O jogo não vale nada, pois o campeonato só começa nesta segunda-feira (15), mas a disposição é a mesma de uma partida oficial. Segundo Cavuré, da tribo Parakanã, os favoritos ao título são os Xikrin. 'Eles jogam muito bem, além de serem fortes e terem muito fôlego. Às vezes jogam pesado, mas esse ano os times devem estar mais equilibrados', avalia.

Perto dali, entre os blocos com as salas onde estão alojados, mais índios treinam futebol. 'Eles não param um minuto. Acordam cedo para jogar e só param quando anoitece', diz Nazaré Trajano, coordenadora do alojamento. Tanta energia precisa de boa alimentação. Segundo Nazaré, para alimentar os 693 índios, a cozinha do alojamento prepara, por dia, cerca de 350 quilos de comida, entre carnes, arroz, feijão e farinha, além de distribuir mais de 1.500 pães.

Enquanto isso, outro grupo treina arco e flecha. A distância do alvo, uma garrafa pet de dois litros, chega a vinte metros. Neto, da tribo Guarani, observava atento aos mais velhos. 'Você vai ver durante os jogos. Isso aí não é nada, eles estão só brincando', aposta. Chamado pela mãe, Neto volta ao trabalho. Ele ajuda a tribo a terminar de confeccionar cestas, que devem ser vendidas durante a semana dos jogos. 'A gente tá pedindo 10 reais a cesta pequena e 20 a grande. Dá para tirar algum dinheiro, que ajuda sim a nossa tribo. Também é muito bom as pessoas acharem nosso trabalho bonito', diz. Cada tribo se prepara para faturar da maneira que pode, com artesanatos característicos. Além disso, outra fonte será a pintura corporal, que sai por cinco reais. 'A pintura é um traço da nossa cultura. A pessoa que for pintada fica com a lembrança por pelo menos trinta dias', garante Camadê, da tribo Xypaia, de Altamira.

Os Jogos Tradicionais Indígenas acontecem de 14 a 20 de agosto. O Portal ORM fará cobertura completa do evento, que é promovido pela Secretaria de Esporte e Lazer do Governo do Pará.