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Bilionário japonês quer superar o império da Amazon.com

Dono da loja on-line Rakuten também é conselheiro do governo do Japão


Em 24 de setembro, 2013 - 22h10 - Tecnologia
O bilionário Hiroshi Mikitani não gosta muito que sua empresa, a Rakuten, seja chamada de a “Amazon japonesa”, definição frequente na imprensa internacional. O maior portal de comércio eletrônico do Japão - e terceiro maior do mundo - é concorrente do império online criado por Jeff Bezos. Mikitani, presidente da Rakuten, sustenta que sua companhia não quer ser apenas uma loja com bons preços, mas um shopping center global, onde as pessoas podem passear e resolver de problemas bancários a pacotes de viagem. 



A meta do empresário, famoso por quebrar tabus no cerimonioso universo corporativo japonês, é “vencer a Amazon”, slogan que imprimiu em camisetas, além de ajudar a ressuscitar a estagnada economia de seu país.

A Rakuten ainda não vale nem metade da principal concorrente, mas cresce aceleradamente, com 85 milhões de usuários só no Japão e negócios que se espalham de Taiwan ao Brasil. A mais recente aquisição da companhia foi a Viki, plataforma de transmissão de vídeo pela internet, comprada por US$ 200 milhões. 

O grupo também é dono da Kobo, de eReaders; da Wuaki.tv, videoclube online com mais de cinco mil títulos; e da americana Buy.com. Investiu ainda US$ 100 milhões no Pinterest, um dos atuais fenômenos das redes sociais. A diversificação do conteúdo sob o comando de Mikitani, um dos homens mais ricos do país, levou o governo japonês a recrutá-lo como seu conselheiro na área de desregulamentação da economia.

A Amazon não é a única rival do fundador da Rakuten. Por discordar do conservadorismo da Keidanren _ a lendária federação das indústrias japonesas, o empresário rompeu com a organização e ajudou a criar a Associação da Nova Economia Japonesa (Jane, na sigla em inglês), que faz pressão por reformas estruturais e reúne representantes do setor digital. Suas ideias enfrentam resistência no ultrarregulamentado Japão, mas reforçam a Abenomics, política econômica do primeiro-ministro Shinzo Abe, que vem dando resultados positivos nos últimos meses.

Quando Mikitani fala, e ele fala muito, Abe ouve. Após sua posse, o primeiro-ministro encontrou os membros da Jane antes de se reunir com a Keidanren.

"Queremos ser um modelo a ser seguido, para sacudir o velho Japão e mostrar uma nova direção", disse Mikitani a jornalistas na última sexta-feira, em Tóquio.

Aos 48 anos, com uma fortuna estimada em US$ 6,4 bilhões, o empresário ficou célebre por métodos radicais. Em 2010, determinou que o inglês seria a língua oficial das reuniões e dos e-mails internos da Rakuten. A empresa pagaria aulas para os funcionários, mas quem não passasse nos testes não seria promovido. Foi um choque num país conhecido por seu apego às tradições. Mikitani, ou Mickey, como é conhecido, acredita que essa é a única maneira de se tornar um conglomerado global.

"Fui chamado de louco. Mas hoje a maioria dos funcionários domina o inglês. Eles também mudaram seu jeito de pensar e de ver o mundo", disse Mikitani, que inaugurou a Rakuten no Brasil em 2012, depois de comprar a Ikeda.

O empresário estudou em Harvard e trabalhou em banco até 1995, quando sua cidade natal, Kobe, foi arrasada por um terremoto. Perdeu os tios e amigos e decidiu mudar de vida. Dois anos depois, criou o portal de e-commerce, batendo pessoalmente na porta dos lojistas para convencê-los a anunciar seus produtos na Rakuten, que cobra um percentual sobre as vendas. Começou com 13 lojas, a maioria de amigos. Hoje o shopping online engloba tanto multinacionais quanto pequenos produtores. O lucro operacional do grupo no primeiro semestre foi acima de US$ 470 milhões, 26% a mais do que no mesmo período do ano passado.

"O Japão não é bom em criar novos negócios", afirma. "Ganhamos em tecnologia, mas perdemos em gerenciamento", critica, acrescentando que as empresas japonesas têm a aprender com concorrentes como a coreana Samsung.

Entre suas propostas para revitalizar a economia de seu país, estão a contratação de mais executivos estrangeiros; incentivos fiscais para investimentos em pesquisa e desenvolvimento; reformulação do sistema educacional para produzir profissionais globalizados e adesão a tratados de livre comércio.

"Estou otimista. Acredito que há menos resistência a mudanças no Japão", diz Mikitani, que além de tudo é dono de um time de beisebol, o Tohoku Rakuten.

Fonte: O Globo