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Mecanização da agroindústria beneficia trabalhadores

Melhoria no ambiente de trabalho e exigência de melhor escolaridade proporciona crescimento profissional


Em 23 de setembro, 2013 - 12h12 - Negócios
Francisco da Silva Oliveira todo dia chega à sua estação de trabalho climatizada, aperta botões e supervisiona se o equipamento com o qual trabalha está operando normalmente. Não, Francisco não trabalha em nenhum escritório ou setor de automação com painéis que controlam grandes equipamentos a partir de um comando computacional. Com 27 anos de idade, o colaborador da Pagrisa desde 2011 é na verdade tratorista. Mas não é um trator qualquer. Francisco hoje possui uma profissão que exige conhecimento técnico para que qualifique o trabalhador a operar maquinário moderno, que se utiliza de georreferenciamento e proporciona qualidade e conforto a quem está no comando dentro da cabine totalmente isolada do sol e da chuva.

Essa é a realidade de grande parte dos colaboradores da área agrícola da única empresa produtora de açúcar e etanol do Pará, a Pagrisa, localizada no município de Ulianópolis, no sudeste do Estado. 'É uma diferença muito grande trabalhar com equipamento de última geração. Digo isso por experiência própria. Já trabalhei na colheita manual da cana de açúcar e era um desconforto muito grande, por conta do esforço que fazíamos', relembra Francisco.


Apesar da comparação com o ambiente anterior de trabalho, Francisco e seus colegas de profissão dizem que o benefício da mecanização da agroindústria vai muito além do simples conforto de um trator guiado por GPS e com cabine climatizada. A exigência de qualificação e capacitação para operar tais equipamentos, como colhedoras, plantadoras e tratores, proporcionou uma chance de crescimento na carreira a quem antes não via futuro diferente na migração de fazenda em fazenda durante as safras da cana.

É o que está vivendo, por exemplo, Dejane Leão, que aos 25 anos de idade possui o cargo de encarregado na área agrícola da Pagrisa, no qual precisa ter conhecimento dos equipamentos utilizados na colheita da cana. 'Costumo dizer que antes eu não tinha uma profissão. Então a mecanização foi uma mudança positiva a meu ver, pois fez com que a gente se qualificasse. Hoje tenho um curso de tratorista e a minha ideia é continuar crescendo aqui dentro', conta.

Atualmente, o plantio da cana de açúcar na Pagrisa é 100% mecanizado e a colheita 95%, que possibilitam uma produção estável e de qualidade. O reflexo disso é que a empresa hoje é capaz de gerar de 400 a 600 toneladas de cana por colhedora por dia. A título de comparação, o índice do corte manual possui rendimento médio de seis toneladas por homem em um dia.

De acordo com a gerente de RH da Pagrisa, Carmem Bethânia dos Santos, a empresa mantém parceira com instituições como o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) para a realização de cursos e treinamentos visando a capacitação tanto dos colaboradores quanto da mão de obra local. 'Nos últimos dois anos, já foram formados e contratados, por exemplo, mais de 300 tratoristas que realizaram cursos técnicos para operação de máquinas totalmente automatizadas', relata.

A política da empresa segue a seguinte lógica: o tratorista capacitado pode subir de cargo, após o período de um ano, mais ou menos, para operador de máquinas agrícolas, depois para encarregado e aí por diante. 'Tudo só depende da vontade, do interesse e do perfil do colaborador. Aqui na empresa ele adquire conhecimentos, competências técnicas e isso abre a possibilidade de um crescimento e projeção que antes este trabalhador não possuía', avalia Bethânia.

Sobre a Pagrisa - Instalada no município de Ulianópolis, no sudeste do Pará, a Pagrisa é o único empreendimento do Estado do Pará que produz etanol (álcool anidro, utilizado na mistura com a gasolina e álcool Hidratado, usado diretamente nos veículos flex) e açúcar cristal. A empresa dispõe de vila industrial com toda a infraestrutura necessária para os 1.300 colaboradores contratados durante a safra, que vai de junho a novembro, número este que reduz em cerca de 50% na entressafra.

Com capacidade instalada para produção diária de 300 mil litros de etanol e oito mil sacas de 50 kg de açúcar, a Pagrisa atende principalmente ao mercado paraense – regiões sul, sudeste, nordeste e a capital, Belém. A comercialização dos produtos é destinada às distribuidoras de combustível automotivo, no caso do álcool anidro e hidratado, e para indústrias de alimentos, mercado de atacado e varejo e empacotadoras, no caso do açúcar, que é vendido pela Pagrisa sob a marca Cauaxí ou em sacas de até 900 kg para que outras empresas o embalem com marca própria.

Foto: Divulgação