Mais Acessadas

Extrativistas se adaptam aos novos modelos de negócios

Comunidades beneficiam a população local e ajudam a preservar a biodiversidade


Em 22 de maio, 2013 - 16h04 - Negócios

Nesta quarta-feira (22), comemora-se o Dia Internacional da Biodiversidade, data instituída pela Unesco, que tem o objetivo de chamar a atenção para a preservação de recursos naturais. Esta temática, além de estar na pauta das organizações de proteção ambiental, tornou-se um dos pilares nas gestões de empresas que têm o meio ambiente como fonte de insumos naturais. É o caso da Natura, que adotou o modelo de Repartição de Benefícios junto às comunidades extrativistas com as quais atua.

Cooperativas de agricultores no Pará que fornecem pitanga, buriti e murumuru se adaptaram aos novos modelos comerciais, contudo, sem perder suas características particulares, como agricultura familiar e economia solidária, voltadas ao desenvolvimento das localidades nas quais produzem. Essa é a ideia do conceito repartição de benefícios, criado no âmbito da Convenção da Diversidade Biológica, para que grupos sociais e comunidades tradicionais, que conservam os seus ecossistemas, tenham condições de manter sua cultura e ambiente, com qualidade de vida e desenvolvimento.
 
Segundo o gerente de relacionamento com comunidades da Natura, Sergio Talocchi, 'quando se faz uma pesquisa ou o desenvolvimento de um produto para uma empresa, com finalidade de ganhos econômicos, o princípio diz que você deve devolver benefícios a quem forneceu o material genético ou conhecimento'. A comunidade da Boa Vista, no Acará, por exemplo, investiu os recursos na construção de sua sede. 'Um dos fatores mais importantes é reconhecer o valor que essas comunidades têm. Esses grupos sabem lidar com seus ecossistemas de forma a extrair coisas de forma sustentável e a repartição de benefícios ela vem para reforçar esse modo de vida, que mantém a biodiversidade em evolução', explica Sergio Talocchi.

Na Cooperativa Mista Agroextrativista de Santo Antônio do Tauá (Camtauá), 91 famílias trabalham como fornecedoras de semente de andiroba e amêndoa de murumuru para a Natura. Desde 2007, a organização participou de iniciativas para aprimorar práticas produtivas e o fortalecimento institucional e evoluiu de uma associação para o sistema de cooperativa em 2009. A melhor organização interna e o aperfeiçoamento técnico ampliaram as vendas, antes restritas à comunidade de Remédios, no município de Santo Antônio do Tauá (PA), para mais quatro municípios próximos. 'Melhoramos a qualidade do processo produtivo e ampliamos bastante a safra, de 11 mil para 29 mil quilos de murumuru', afirma o diretor da Camtauá, Ivanildo Melo da Silva.

A relação com as comunidades é trabalhada levando em consideração todos os custos para que a produção seja sustentável do ponto de vista social, ambiental e econômico. 'Todas as condições ambientais de manejo, os estudos que tem que ser feitos, propostas de como se fazem boas práticas de manejo da planta, as questões de tecnologia, de processamento de embalagem, tudo isso a gente discute para ser bem construído por todos', finaliza Talocchi. Em 2012, esses acordos comerciais entre a Natura e as comunidades movimentaram R$ 12 milhões, volume 12% superior a 2011.