Festival de Brasília: 'A Mão que Afaga' e 'Boa Sorte Meu Amor' foram os destaques da noite

Crítico de cinema Marco Antonio Moreira conta os detalhes do terceiro dia de mostra competitiva


Em 21 de setembro, 2012 - 13h01 - Festival de Cinema

No terceiro dia de exibição dos filmes da mostra competitiva, os destaques foram o curta 'A Mão que Afaga', de Gabriela Amaral Almeida, e o longa 'Boa Sorte Meu Amor'. 'A Mão que Afaga' mostra a história de uma mulher que trabalha no telemarketing e mora com o filho. Sozinha, solitária, pretende fazer uma festa de aniversário para o filho, fazendo todo o esforço possível. Mas a sua habilidade de se comunicar com as pessoas fica cada vez mais difícil, ao contrário do seu trabalho e, talvez, por causa dele.

'Eu falo com quase mil pessoas por dia', diz ela num momento do filme, mas não sabe se relacionar. Na festa, somente uma mãe e sua filha comparecem e o clima de angústia de solidão é latente. Bem dirigido, simples, com poucos diálogos, o curta emociona.

Já 'Boa Sorte Meu Amor' confirma a qualidade do cinema pernambucano com uma história de amor, encontro, desencontro e busca de identidade, que ao mesmo tempo é extremamente regional e universal. Um homem de 30 anos, de origem aristocrática, do sertão pernambucano, tenta esquecer as origens de sua familia e acaba se apaixonando por uma estudante de música de outra geração, que tem uma outra visão sobre as relações sociais e de poder em que eles vivem. E esta diferença provoca uma necessidade de mudança deste personagem, que vai entrar em colisão com sua apatia e indiferença diante do mundo e das pessoas.

Bela história dirigida com maestria por Daniel Aragão, que criou cenas emocionantes e que revelam um olhar diferenciado de um diretor que é uma revelação. Realizado em preto e branco, o filme claramente tem influências do cinema novo e mesmo do cinema europeu, com longas tomadas, 'closes' e utilização da trilha sonora de forma inteligente e sensível. Aplaudido no final da sessão, 'Boa Noite Meu Amor' é surpreende e é um dos favoritos ao prêmio de melhor filme do festival.

Outro destaque do dia foi o seminário sobre o crítico Paulo Emilio Salles, que teve entre os convidados o crítico e professor de cinema Ismail Xavier, que fez uma brilhante apresentação.

Confira a programação da mostra competitiva desta sexta (21):

- Mostra Competitiva - Documentário:
- 'Empurrando o Dia', de Felipe Chimicatti, Pedro Carvalho e Rafael Bottaro (25 minutos - MG)
- 'Doméstica', de Gabriel Mascaro (75 minutos - PE)


Mostra Competitiva - Animação e Ficção :
- 'Valquíria', de Luiz Henrique Marques (8 minutos - MG)
- 'Eu Nunca deveria ter Voltado', de Eduardo Morotó, Marcelo Martins Santiago e Renan Brandão (15 minutos - RJ)
- 'Era uma Vez Eu, Verônica', de Marcelo Gomes (90 minutos - PE)

* Por Marco Antonio Moreira, direto da 45ª Edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, para o Portal ORM