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Grupo de Trabalho Araguaia exumou mais dois restos mortais no Tocantins e ParŠ


Em 23 de junho, 2012 - 18h06 - Amaz√īnia

 

O Grupo de Trabalho Araguaia (GTA) fez a exuma√ß√£o de dois restos mortais na regi√£o dos estados do Tocantins e do Par√° durante a √ļltima expedi√ß√£o, que ocorreu entre os dias 10 e 20 de junho. Os despojos foram transportados de Marab√° (PA) para Bras√≠lia, onde ser√£o periciados. Durante os quatro anos de trabalho do grupo, 19 restos mortais foram localizados.

 

O primeiro resto mortal encontrado este mês foi retirado do cemitério de Xambioá, em Tocantins, e o segundo, da área conhecida como Abóbora, situada no município de São Geraldo do Araguaia, no Pará. Segundo o coordenador do GTA pelo Ministério da Defesa, Sávio Andrade, os restos mortais vão passar por uma análise inicial do Instituto Médico-Legal e do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, em Brasília.

 

Os despojos passarão por exames antropométricos e por extração de DNA. Após a perícia, eles serão armazenados no Hospital Universitário de Brasília, onde estão os outros restos mortais encontrados pelo grupo. Para Sávio Andrade, no entanto, a identificação dos restos mortais encontrados na região onde ocorreu a Guerrilha do Araguaia ainda é um desafio, pois faltam instrumentos precisos para fazer o reconhecimento com base no banco de DNA de Mortos e Desaparecidos Políticos brasileiros.

 

De acordo com a Secretaria de Direitos Humanos (SDH), a identifica√ß√£o dos restos mortais encontrados √© lenta, apesar de o Brasil dispor de tecnologia compat√≠vel com a dos melhores laborat√≥rios do mundo. Segundo a pasta, o avan√ßado est√°gio de degrada√ß√£o do material org√Ęnico dificulta a extra√ß√£o de DNA e, assim, a identifica√ß√£o dos perfis gen√©ticos.

 

O banco de amostras de material gen√©tico de parentes de desaparecidos pol√≠ticos foi criado em 2006. O trabalho da Comiss√£o Especial sobre Mortos e Desaparecidos da SDH concentrou-se, inicialmente, na obten√ß√£o de amostras de DNA dos desaparecidos da guerrilha. Partiu-se, portanto, dos desaparecidos do Araguaia que ainda n√£o dispunham de amostra. As √ļltimas coletas realizadas referem-se √†queles parentes com quem foi poss√≠vel estabelecer contato e que aceitaram fazer a doa√ß√£o de amostra de material gen√©tico.

 

A secretaria informou que o Banco de DNA de parentes de desaparecidos da guerrilha que aceitaram doar amostra de material genético está completo. Além desses, existem os parentes dos demais desaparecidos políticos brasileiros, cujo processo de coleta de material continua em curso.


 
Em 2009, a juíza da 1ª Vara Federal do Distrito Federal Solange Salgado determinou que o governo federal reiniciasse as buscas na região. Para cumprir a determinação judicial, o Ministério da Defesa criou o Grupo de Trabalho Tocantins (GTT) com o objetivo de localizar, recolher e identificar os restos mortais de desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia.

 

Em 2011, o grupo foi reformulado e ampliado e passou a ser conhecido como Grupo de Trabalho Araguaia. A coordena√ß√£o √© feita conjuntamente pelo Minist√©rio da Defesa, o Minist√©rio da Justi√ßa e a Secretaria de Direitos Humanos. Parentes dos mortos e desaparecidos da guerrilha e representantes do Minist√©rio P√ļblico Federal (MPF) tamb√©m acompanham os trabalhos.

 

A primeira expedi√ß√£o deste ano j√° ocorreu. De acordo com S√°vio Andrade, foram feitas escava√ß√Ķes e reconhecimentos em Xambio√° (Tocantins) e em S√£o Geraldo do Araguaia (Par√°). As atividades do grupo devem ser retomadas no pr√≥ximo dia 8. ¬ďAl√©m desses dois munic√≠pios, temos atividades para desenvolver em Marab√° (Par√°). O planejamento espec√≠fico ainda n√£o foi definido¬Ē.

 

A Guerrilha do Araguaia foi um movimento pol√≠tico no come√ßo da d√©cada de 1970, que surgiu para enfrentar a ditadura militar. Guerrilheiros e militares foram mortos em combates na selva amaz√īnica. At√© hoje, dezenas de participantes do movimento est√£o desaparecidos.

 

Fonte: Agência Brasil


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