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Encontro esportivo de etnias indígenas registra o maior número de participantes


Em 13 de novembro, 2011 - 11h11 - Amazônia

 

Considerados um dos maiores encontros esportivos culturais e tradicionais de indígenas da América, os Jogos dos Povos Indígenas chegam ao fim de sua 11ª edição com uma participação recorde de participantes. O principal objetivo do evento foi promover uma ação sócio-educacional do esporte como um fator de formação da identidade das culturas autóctones, voltado à promoção da cidadania indígena, à integração e aos valores tradicionais. Os Jogos transformaram a Ilha Porto Real, no município de Porto Nacional, no Tocantins, uma verdadeira aldeia multicultural, entre os dias 5 e 12 de novembro. Para o idealizador do evento, Carlos Terena (Comitê Intertribal), os Jogos são uma forma de elevar a autoestima dos povos da floresta. 'Por muitos anos ficamos à margem da sociedade brasileira. Com o evento, os indígenas têm mais visibilidade e possibilidades de se tornarem protagonistas de sua história', afirma.

 

A diversidade cultural dos povos indígenas brasileiros é hoje representada por cerca de 230 etnias que vivem em suas terras originais e que ainda mantêm vivas aproximadamente 180 línguas. São povos diferentes entre si, cada um com sua identidade cultural, manifestações, usos, tradições, costumes, habilidades tecnológicas, organização social, ritos, crenças, filosofias, espiritualidades e seus esportes tradicionais peculiares.

 

Uma das novidades dessa edição foi a divisão do evento em duas temáticas: a primeira, voltada para o Fórum Social Indígena e para a Rio+20, que abordou a Conferência Internacional do Meio Ambiente e discussões sobre a economia verde, além da sustentabilidade e preservação das tradições indígenas. O segundo tema teve como objetivo o intercâmbio esportivo e cultural entre as etnias, além de proposição de um debate sobre a inclusão indígena como legado da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016.

 

Para a coordenadora da comissão de organização dos Jogos dos Povos Indígenas do Ministério do Esporte, Regina Penna Rodrigues, o encontro esportivo teve ainda o objetivo de promover a integração dos povos indígenas e a celebração com os cidadãos não-indígenas.

 

Olimpíadas - Com relação à Rio+20, a ideia é apresentar as Olimpíadas Verdes, ou seja, os Jogos Indígenas como experiência brasileira. A Conferência das Nações Unidas em Desenvolvimento Sustentável será realizada em junho de 2012, no Rio de Janeiro, com o objetivo de renovar a participação dos líderes mundiais no desenvolvimento sustentável do planeta. A cúpula ocorrerá 20 anos após a Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92).

 

Durante os debates, Fernanda Kaingang, participante do Fórum Social Indígena, advogada do Instituto Indígena para Propriedade Intelectual (Inbrapi) e responsável pelas oficinas preparatórias do fórum, encorajou os povos participantes a criar propostas para serem apresentadas na Rio +20 'Para contribuir com o futuro determinado pela conferência da ONU, temos que ter como base o caminho seguido por nossos ancestrais', destacou.

 

Os jogos contaram com modalidades típicas do dia a dia dos indígenas participantes, como a natação em rio, canoagem, arco e flecha, corrida de tora, cabo de força, futebol de cabeça, futebol tradicional, além de outros rituais tradicionais que refletem a cultura de cada etnia. Os XI Jogos dos Povos Indígenas foram realizados pelo Comitê Intertribal - Memória de Ciência Indígena (ITC), com patrocínio do Ministério do Esporte e apoio do Governo do Estado do Tocantins e da Prefeitura Municipal de Porto Nacional. O encontro esportivo ocorre desde 1996 a cada dois anos. O último ocorreu no município paraense de Paragominas, em 2009.

 

 

Fonte: Jornal Amazônia