Mais Acessadas

Vereador preso no Rio era último braço político da milícia, diz deputado


Em 13 de abril, 2011 - 20h08 - Política

 


O vereador do Rio André Ferreira da Silva (PR), o Deco, preso na manhã desta quarta-feira (13), era o último braço político da milícia do Rio de Janeiro, de acordo com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), uma das autoridades ameaçadas de morte pelos paramilitares que atuam na Zona Oeste. Mas ele ressalta que as prisões de líderes enfraquecem apenas politicamente os grupos, que continuam aumentando as áreas de domínio na cidade.


Freixo afirmou que em 2008, um grupo de milicianos lucrava cerca de R$ 170 mil por dia, apenas com o serviço de vans. 'O faturamento é muito grande, porque como toda milícia eles, controlam ‘gatonet’, vans, gás. É por isso que a gente prende os líderes e as milícias continuam crescendo. De 2008 para cá foram quase 500 prisões. E o numero de milícias quase dobrou. Ou seja, a prisão dos líderes enfraqueceu as milícias, enfraqueceu politicamente. O Deco era o último braço político deles', disse Freixo.


Freixo disse que em 2008, ano em que foi instaurada a CPI das Milícias, havia cerca de 170 territórios dominados por paramilitares. Atualmente, segundo ele, há 305 áreas. 'Isso prova que o crime organizado não se enfrenta só com a prisão dos líderes. Tem que cortar os braços econômicos', enfatizou.


Vereador se diz vítima de perseguição - O vereador Deco, que é ex-paraquedista do Exército, foi preso em casa, no Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Oeste. Ao deixar o local, ele disse que era inocente e que está sendo vítima de uma perseguição política.


Além dele, outros dois suspeitos foram presos numa operação para desarticular a milícia nesta quarta-feira (11). O grupo é suspeito de formação de quadrilha armada e de cometer outros crimes como homicídios, ocultação de cadáver, tortura, estupros, furto de sinal de televisão e internet, controle no fornecimento de gás, prestação irregular do serviço de transporte alternativo, exploração de máquinas caça-níquel, entre outros.


No total, foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva - oito contra a quadrilha que incluiria Deco e mais seis contra uma outra milícia que atuaria na Estrada da Covanca, no bairro do Tanque. A Justiça também expediu 25 mandados de busca e apreensão.


Políticos presos, mas não cassados - Para o deputado Marcelo Freixo, o mandato do vereador preso nesta quarta precisa ser cassado. Ele ressaltou que o ex-vereador Cristiano Girão (PMN), preso desde 2009 acusado de comandar uma milícia da Zona Oeste, teve o mandato cassado por falta, e não pela prisão. Freixo também lembrou do ex-vereador Jerominho, que também não teve o mandato cassado, apesar de estar preso.


'Acho que a prisão do Deco é importante e acho que é tardia. Acho que ele podia estar preso desde 2008, ele foi indiciado em 2008', afirmou.


Em agosto de 2010, a 4ª Vara Criminal do Rio, manteve a prisão preventiva dos acusados de integrar um grupo de milícia que atuava em Campo Grande, na Zona Oeste da cidade. Os réus são os irmãos Natalino José Guimarães, ex-deputado, e Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho; Luciano Guinâncio Guimarães; Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman; e Leandro Paixão Viegas, o Leandrinho Quebra-Ossos. Eles são acusados da tentativa de homicídio de Marcelo Eduardo dos Santos Lopes. O Tribunal de Justiça informou, na ocasião, que todos continuariam presos na penitenciária de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.


O deputado Marcelo Freixo disse ainda que a prisão do vereador Deco poderá ajudar na CPI das Armas, pois a milícia se abastece do comércio ilegal. Segundo Freixo, as áreas dominadas pelos paramilitares são onde há maior número de homicídios. 'Se você pegar o mapa de homicídio do Rio de Janeiro, é impressionante como ele se encaixa no mapa das milícias do Rio', disse ele, afirmando que as áreas são coincidentes.


Escolta há 3 anos - Há cerca de três anos Marcelo Freixo anda com escolta policial  24 horas por dia. 'É necessário, então, não adianta eu lamentar. Ou eu paro de fazer o que eu estou fazendo, que eu não estou disposto a parar, ou eu vivo com escolta', disse ele.


O deputado, afirmou que nunca recebeu uma ameaça direta dos milicianos. Entretanto, a Polícia Civil, através de interceptações telefônicas e também de cartas, descobriu que havia um plano da milícia para matar o deputado. 'Havia um plano. O Deco era um dos mais explícitos, mas não era o único', contou.


Vítimas ameaçadas com facões - A milícia que seria comandada pelo vereador Deco, e teria planejado matar o deputado estadual Marcelo Freixo e a chefe de Polícia Civil Martha Rocha, é considerada uma das mais violentas dos grupos paramilitares que atuam na Zona Oeste do Rio, segundo informações do Ministério Público e da Polícia Civil. De acordo com a denúncia do MP, a quadrilha, que estaria atuando há pelo menos sete anos nos bairros de Praça Seca, Campinho, Tanque e Quintino, em Jacarepaguá, executava suas vítimas de forma cruel, usando facões e cordas para enforcamento.


O grupo ainda praticava ocultação e destruição de cadáveres, torturas, estupros, invasões de domicílios e outros crimes.


Cobrança de taxas - Ainda segundo a investigação, nas áreas controladas pelo bando, comerciantes eram obrigados a pagar taxas de segurança mensais de até R$ 100. Dos moradores, cobravam taxas por fornecimento de água (R$ 10), sinais clandestinos de TV a cabo (R$ 30), internet (R$ 30) e venda de imóveis (até 20% do valor negociado).


Para trabalhar, mototaxistas pagariam R$ 30 a cada 15 dias. O grupo também monopolizava a venda de botijões de gás, com preços fixados acima dos valores praticados no mercado e a exploração de máquinas de jogos de azar.


Fonte: G1