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Hospital não dá laudo para morte cerebral


Por: 1 Em 04 de abril, 2011 - 09h09 - Região Metropolitana



Joelma Maria Silva, de 32 anos, teve morte encefálica diagnosticada há cinco dias no Hospital Camilo Salgado, em Ananindeua, onde está internada como paciente terminal de câncer há duas semanas, mas continua no leito até agora porque o hospital não possui um neurologista em seu quadro médico para atestar o diagnóstico - exigência obrigatória pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) -, o que permitiria que a família tomasse providências sobre o que fazer.

 

Uma vizinha da família, Ruth Amélia Silva, corre de um lado para o outro para conseguir o especialista e chegou a ser orientada pela administração do hospital a pagar um profissional para emitir o documento ou recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS), sendo que tanto a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) quanto a Prefeitura Municipal de Ananindeua afirmam que essa tarefa cabe ao próprio Camilo Salgado.


Com dores de cabeça cada vez mais intensas, Joelma foi internada em um leito do hospital enquanto aguardava a liberação de uma vaga no Hospital de Clínicas 'Gaspar Viana' - o que aconteceu na quinta-feira, dia 31, horas antes do diagnóstico de morte cerebral, sendo que o Gaspar Viana informou o fato ao Camilo Salgado, mas este não teria avisado a família, segundo Ruth Amélia. 'A espera foi tão longa que ela entrou em coma. Quando soubemos da liberação do leito, ela já estava em morte cerebral, segundo o médico plantonista. O hospital sequer nos avisou disso', denuncia a vizinha.


A equipe de reportagem de O LIBERAL não conseguiu entrar em contato com o Hospital Camilo Salgado - os telefones apenas chamam e ninguém atende. A informação passada pela Prefeitura de Ananindeua é de que a mesma não possui gerência sob a administração do Camilo Salgado porque não se trata de uma organização pública, mas de um hospital conveniado a uma grande rede nacional e que aqui disponibiliza, pelo SUS, alguns leitos.


Enquanto isso, a família de Joelma Maria segue sem saber como agir. 'Os familiares dela estão, além de arrasados, cansados com tudo o que está acontecendo. Já pedi ajuda ao Ministério Público, à [Ordem dos Advogados do Brasil / Seção Pará] OAB/PA e à Secretaria Municipal de Saúde, mas ninguém fez nada até agora. Chegaram a nos falar que deveríamos procurar um neurologista pelo SUS ou pagar um por fora, mas tanto ela quanto à família são pobres e não possuem condições', detalha Ruth.


Fonte: O Liberal