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Patriota vê boa vontade da China sobre relação bilateral com o Brasil


Em 04 de março, 2011 - 18h06 - Política

 

O governo chinês demonstra boa vontade e interesse em tentar solucionar os problemas no crescente relacionamento comercial com o Brasil, disse nesta sexta (4) em Pequim o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota.

 

Após um encontro de duas horas com o ministro do Comércio chinês, Chen Deming, Patriota, que está no país em visita preparatória da viagem oficial da presidente Dilma Rousseff, em abril, afirmou que há compreensão dos chineses sobre as questões que preocupam o Brasil, como a necessidade de diversificar a balança comercial.

 

O Brasil exporta grandes volumes de matérias-primas para a China, principalmente minério de ferro e soja, e compra dos chineses itens de maior valor agregado, como eletrônicos e outros bens de consumo.

 

Patriota afirmou que abordou no encontro o desejo do Brasil de ter mais investimentos da China em áreas de produção de manufaturados e também em projetos de infraestrutura.

 

"Nós estamos procurando meios de estimular a relação bilateral. Isso não quer dizer que não reconheçamos que existam dificuldades, por exemplo, com situações envolvendo o câmbio ou sobre percepções de setores industriais brasileiros de que alguns produtos chineses estão trazendo problemas para eles", afirmou o chanceler brasileiro a jornalistas.

 

"Mas a reação geral [dos chineses] sobre essas dificuldades foi a de que nós temos os mecanismos apropriados para discuti-los", acrescentou.

 

Patriota foi questionado se as autoridades chinesas levantaram preocupações sobre medidas antidumping instituídas pelo Brasil e respondeu que não.

 

Embraer


Outra questão levantada ao ministro, no encontro com os jornalistas, foi a situação da Embraer na China. A companhia brasileira tem uma joint-venture no país com uma estatal chinesa.

 

A fábrica na China produz o jato ERJ 145, de 50 assentos, modelo com demanda decrescente. Nos próximos meses serão concluídas as entregas remanescentes dos aviões da última encomenda e é possível que a unidade seja fechada.

 

A Embraer estaria interessada em produzir um avião maior que o ERJ 145 na China, mas estaria enfrentando resistências do governo chinês, que tem planos próprios de desenvolver um jato regional de maior porte.

 

'Sobre isso, foi interessante que o primeiro-ministro Wen Jiabao levantou a questão por iniciativa própria. A ênfase que ele colocou foi no importante legado dessa cooperação bilateral, uma parceria em um setor de alta tecnologia. Estamos vendo maneiras de levar isso para frente', afirmou Patriota.

 

Fonte: G1