Mais Acessadas

Programas de Campanha


Em 09 de julho, 2010 - 10h10 - Editorial

 

Há programa de governo e programa de campanha.

 

Normalmente, um nada tem a ver com o outro. Mas quando ambos são parecidos,prevalecem as práticas de governo, bem diversas daquilo que foi propagado nas campanhas como objetivos plenamente alcançáveis.

 

 

Programas de campanha são mais ousados; alguns diriam mesmo que são abusados.

 

 

Nos programas de campanha, abusam-se das promessas, da pirotecnia, das propostas apontadas como solução para tudo e que, na prática, nada vão solucionar.

 

 

Nos programas de campanha, vale mais a plástica, a aparência, a manifestação de projetos e planos que estão perfeitamente em sintonia com as arquibancadas, que a tudo assistem de longe, eventualmente aplaudindo alguma proposta mais ousada - ou mesmo mais abusada.

 


Os programas de governo, por sua vez, são bem mais realistas. A pirotecnica, as promessas inalcançáveis e o exibicionismo indisfarçável são submetidos a uma certa depuração. E acabam mais ou menos ajustados à realidade. Os programas de governo, como não se destinam a pedir votos, como não se voltam a promover proselitismos entre candidatos e eleitores, tendem a manter o que está dando certo e a adotar iniciativas que se proponham a corrigir carências e desequilíbrios de toda ordem.

 


Feitas as distinções devidas, não assusta que o programa de governo registrado pela candidata governista à Presidência da República seja mais um programa de campanha. E tanto é assim que não vingou por muito tempo.

 

O programa - dito de governo - registrado na Justiça Eleitoral, no final da manhã de segunda-feira última, propunha taxação de grandes fortunas, combate ao “monopólio da mídia” e audiência prévia para reintegração de terras invadidas por sem-terra.

 


A repercussão - evidentemente negativa - foi enorme e imediata, principalmente na internet. Diante disso, o PT recuou, voltou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), retirou o texto e apresentou nova redação sem os pontos considerados mais polêmicos.

 

O primeiro programa de governo protocolado atendia pelo título de “A grande transformação”. Além dos pontos polêmicos, o texto deixou de fora as propostas de partidos aliados como o PMDB, que não se sentiram, obviamente, confortáveis com a omissão.

 


O programa inicialmente apresentado à Justiça Eleitoral teria sido uma iniciativa de ala da campanha da candidata governista que optou deliberadamente por um texto aprovado no congresso do partido, em fevereiro, com concessões às alas mais à esquerda.

 


Mas a coordenação da campanha da candidata chegou à conclusão de que, em decorrência da insatisfação de aliados e de propostas que a própria candidata não endossou - como a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais -, seria preferível substituí-lo, o que acabou sendo feito.

 


Esse episódio, que poderia parecer isolado, em verdade não o é. Pode parecer isolado porque ganhou muito repercussão, mas é muito comum ocorrer com outros partidos e outros candidatos.

 


E muitas vezes programas de governo nem são percebidos, muito embora contenham propostas polêmicas. Por que não o são? Porque eleitores não têm costume, no Brasil, de orientar- se pelos programas - sejam os partidários, os de governo ou os de campanha.

 


Não se orientam pelos programas partidários porque os próprios partidos, organicamente considerados, não passam de uma ficcção.

 


Não se orientam pelos programas de campanha porque, nas campanhas, a pirotecnia é que geralmente prevalece.

 


E não se orientam pelos programas de governo porque não se dispõem a acompanhar a execução daquilo que foi escrito claramente em
folhas da papel.

 


De qualquer forma, é indispensável que oseleitores se mantenham atentos e vigilantes. Só assim poderão distinguir o que é programa de governo e o que é programa de campanha.

 

Fonte: O Liberal