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Ambientalismo exibicionista no novo código florestal


Em 08 de julho, 2010 - 09h09 - Editorial

 

Debates ambientalistas que se prezam acabam em tapas.

 


Ou acabam em esterco.

 


Recentemente, quando se travava uma guerra de liminares para tentar impedir o processo licitatório que selecionou o consórcio que vai construir a hidrelétrica de Belo Monte, na região do Xingu, em Altamira, membros de organização ambientalista despejaram toneladas de esterco na frente de um órgão público, em Brasília (DF).

 


Há poucos dias, na Câmara dos Deputados, o deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS) e seu colega Ivan Valente (PSOL-SP) davam uma entrevista sobre o novo Código Florestal, que acabou aprovado numa comissão especial e ainda será submetido ao plenário. Os parlamentares quase saíram no tapa. “Vamos lá para fora resolver”, disse Heinze. Colegas de ambos intervieram a tempo e evitaram que os tapas se consumassem.

 


Debates ambientalistas também ensejam exibicionismos - deploráveis, como todo exibicionismo que se preze.

 


Na mesma sessão em que se discutiu e aprovou o Código Florestal, três integrantes do Greenpeace interromperam a discussão e foram retiradas à força pelos seguranças. Elas seguravam faixas com os dizeres “não vote em quem mata a floresta”.

 


Durante o protesto, um agricultor se colocou na frente das manifestantes para mostrar a camiseta em favor do novo Código Florestal: “Sustentabilidade é o nosso negócio”.

 


Essas manifestações, que a democracia comporta por ser democracia, são inúteis. E no caso da aprovação do Código Florestal, de nada adiantaram porque o texto aprovado não foi um texto para agradar às manifestantes do Greenpeace ou ao agricultor que se diz adepto da sustentabilidade.

 


O texto aprovado foi o texto possível, que não pode se preocupar apenas com a última formiga do planeta que será esmagada impiedosamente por uma flor aromática prestes a despencar de uma planta silvestre.

 


O texto possível, que o Código Florestal contém, também precisa se preocupar com gente, com pessoas, com seres humanos, aqueles que têm a liberdade, inclusive, de criar formigueiros em seus quintais ou de exterminá-los, desde que membros do Greepeace não estejam por perto, é claro.

 


O projeto isenta pequenas propriedades, de até quatro módulos fiscais, de recuperarem a reserva legal (área de vegetação nativa do imóvel). Os produtores, porém, terão de manter a mata que ainda resta.

 


Isso não deixa de ser um avanço na proteção do ambiente, uma vez que garante a regularização das áreas já em uso pelos agricultores, por gente humilde, por gente pobre, por gente que,
de fato, vive da atividade agrícola.

 


Aliás, estima-se que se toda a legislação atual fosse realmente aplicada, pelos menos 90% dos agricultores estariam na ilegalidade, seriam párias, não poderiam produzir. E seriam facilmente cooptados, atraídos pelos profissionais da invasão, que engrossam as hordas do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, sempre prontos para cometer práticas criminosas país afora.

 


Por que tanta resistência ao Código? Porque várias das alterações acolhidas pelo relator foram propostas pela bancada ruralista na Câmara.
E porque o relator é Aldo Rebelo, do PCdoB de São Paulo.

 


Os que se opõem ao texto aprovado do Código Florestal apostavam, por isso mesmo, que as propostas satisfizessem apenas às manifestantes do Greenpeace e que o relator encenasse o papel do comunista à antiga, pré-derrubada do Muro de Berlim, o comunista que passava dia e noite, noite e dia, apostando que a coletivização era a saída para a humanidade. E o muro, como se sabe, acabou vindo abaixo, derrubado inclusive por tantos que se diziam comunistas.

 


Enquanto o ambientalismo for discutido assim, com base em práticas exibicionistas, tapas na cara e esterco atirado à porta de órgãos públicos, o ambientalismo continuará a ser apenas mais um ismo qualquer.

 

Fonte: O Liberal