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Editorial: Quanto custa a corrupção no Brasil?


Em 27 de junho, 2010 - 11h11 - Editorial

 

Tempos de pré-campanha eleitoral são tempos de aquecimento.


Aquecem-se os discursos, as promessas, as fartas demonstrações de benemerência.


Quando chega a campanha, a partir de julho, candidatos em busca de votos estarão com argumentos afinados para atrair eleitores, para sensibilizá-los e induzi-los a imaginar que, votando neste ou naquele, estarão a um passo de resolver a metade das carências - senão todas elas - que mantêm milhares, milhões de pessoas na mais odiosa exclusão social.


Quando chegar a campanha, um espécime particular de candidato estará à solta: o corrupto.


Nessa categoria especial incluem-se os aspirantes a corrupto, que já demonstraram pendores mais do que evidentes de que têm tudo para meter a mão no dinheiro público. É preciso cuidado com eles.


Mas é preciso um cuidado redobrado com os corruptos experientes, aqueles que já viraram sinônimo de corrupção e não conseguem, muito embora tentem, livrar-se da marca de dilapidadores dos cofres públicos.


O corrupto experiente, rematado, com muita quilometragem na prática de desfalcar o erário em benefício próprio, o que lhe permite acumular apreciáveis patrimônios, esse tipo de corrupto, portanto, imagina que ninguém é capaz de aferir o quanto a corrupção custa caro a um Estado, a um País.


Esse tipo de corrupto - o experiente, o rematado, com doutorado na prática da rapinagem - sempre parte da presunção de que ninguém é capaz de avaliar precisamente o quanto ele roubou, o quanto ele se locupletou com dinheiro público.


Afinal, quanto custa a corrupção? Há números sobre isso. E recentes.


A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estimou que a corrupção causa prejuízos da ao Brasil de até R$ 69 bilhões por ano.


Concluiu a Fiesp que os custos econômicos e sociais de práticas notoriamente corruptas comprometem nada menos do que 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, ou seja, de toda a riqueza produzida. Se não houvesse corrupção, a renda por habitante seria 15% maior.


Se o dinheiro desviado fosse investido em educação, por exemplo, a rede pública de ensino fundamental - ainda segundo os números Fiesp - poderia ter 47% a mais de alunos matriculados. Na saúde, os hospitais do SUS quase dobrariam o número de leitos para internação.


O estudo da Fiesp leva em conta a situação do Brasil no ranking da corrupção feito pela ONG (organização não governamental) Transparência Internacional. Atualmente, o Brasil se encontra na posição de número 75, entre 180 nações avaliadas.


A corrupção aí considerada inclui as práticas de suborno e de propina, fraude, apropriação indébita ou qualquer outro desvio de recursos por parte de um funcionário público.


Eventualmente, também envolve casos de nepotismo, extorsão, tráfico de influência, uso de informação privilegiada para fins pessoais e a compra e venda de sentenças judiciais, entre diversas outras práticas.


A corrupção é como erva daninha. Provoca, indubitavelmente, a corrosão, o desgaste, a deterioração das bases das instituições democráticas e distorcem completamente os processos eleitorais. Com isso, minam o Estado de Direito e deslegitimam a burocracia.


A consequência é evidente: além de desfalcar os cofres públicos, a corrupção causa o afastamento de investidores e desestimula a criação e o desenvolvimento de empresas no País, que não conseguem arcar com os “custos” da corrupção.


Não custa nada, por isso, que o eleitor, desde agora, mantenha-se com as antenas ligadas para detectar o menor sinal de que corruptos - sobretudo os mais rematados, os mais experientes - estão por aí, soltinhos da silva, prontos para sair à caça de votos.


Ao menor sinal de um corrupto, convém tomar cuidado. E rejeitá-lo desde já, antes mesmo das eleições que vêm por aí.

Fonte: O Liberal